A Gerdau iniciou 2026 com avanço expressivo nos resultados financeiros e reforçou a importância de suas operações internacionais para o desempenho do grupo. A companhia anunciou lucro líquido ajustado de R$ 1,013 bilhão no primeiro trimestre, crescimento de 33,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já o Ebitda ajustado, indicador que mede a geração operacional de caixa, somou R$ 2,958 bilhões, alta anual de 23,2%.
Apesar do crescimento, o lucro veio abaixo da expectativa média dos analistas de mercado, que projetavam resultado próximo de R$ 1,29 bilhão. Ainda assim, a siderúrgica demonstrou resiliência em meio a um cenário global considerado desafiador pela própria companhia, marcado por tensões geopolíticas, oscilações no mercado de commodities e ajustes na cadeia internacional de suprimentos.
Operações nos Estados Unidos foram decisivas
A principal alavanca do balanço veio da América do Norte, especialmente dos Estados Unidos, onde a Gerdau concentra parte relevante de sua produção de aços longos e especiais. Na região, o Ebitda ajustado atingiu R$ 2,25 bilhões entre janeiro e março, praticamente o dobro do registrado no mesmo trimestre de 2025, quando havia somado R$ 1,2 bilhão.
O desempenho confirma a estratégia da empresa de ampliar competitividade em mercados mais rentáveis e menos pressionados por custos internos, além de aproveitar a demanda industrial e de infraestrutura norte-americana.
Enquanto a operação externa ganhou musculatura, a participação brasileira no resultado consolidado diminuiu de forma significativa. As unidades no país responderam por apenas 19,2% do Ebitda total do grupo, bem abaixo dos 43,2% registrados no primeiro trimestre do ano passado.
A margem operacional da divisão brasileira também encolheu: saiu de 14,6% para 9,2% em doze meses. O percentual mostra um ambiente mais pressionado para a siderurgia nacional, com custos elevados, maior competição no mercado doméstico e rentabilidade inferior à observada na América do Norte, onde a margem alcançou 24,1%.
Conselho aprova dividendos e recompra de ações
Mesmo com a redução da participação brasileira no lucro operacional, a companhia anunciou remuneração aos acionistas. O conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 354 milhões em dividendos, equivalentes a R$ 0,18 por ação. Na holding controladora, a Metalúrgica Gerdau, o montante será de R$ 106 milhões.
Além disso, a empresa comunicou o cancelamento de ações ordinárias e preferenciais e informou que mantém em andamento seu programa de recompra. Segundo a siderúrgica, 21% das ações autorizadas no plano de 2026 já foram adquiridas, em investimento de R$ 211 milhões.
Estrutura financeira segue confortável
A Gerdau encerrou março com alavancagem financeira de 0,74 vez, índice levemente inferior ao observado no fechamento de 2025. Na prática, o indicador reforça uma posição de endividamento considerada controlada e dá à companhia maior margem para continuar investindo em competitividade e modernização industrial.
No trimestre, a empresa também informou investimentos de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em Capex, sendo a maior parte direcionada para operações brasileiras, especialmente em manutenção e ganhos de eficiência produtiva.
O balanço do primeiro trimestre evidencia uma mudança importante dentro da estrutura da Gerdau: a geração de caixa da companhia está cada vez mais concentrada fora do Brasil.
Se por um lado a empresa apresenta crescimento consistente e mantém remuneração aos acionistas, por outro o desempenho reforça a perda relativa de protagonismo da operação brasileira diante da força dos ativos norte-americanos — movimento que tende a ser acompanhado de perto pelo mercado nos próximos meses.


