Com cerca de 25% da disponibilidade mundial de minerais estratégicos e a única produção em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia, Goiás busca ampliar seu protagonismo no setor mineral e transformar essa riqueza em desenvolvimento econômico dentro do próprio estado.
A estratégia do governo estadual é impedir que o minério saia bruto do Brasil e tenha seu valor agregado concentrado em outros países. A meta agora é atrair toda a cadeia de processamento industrial para o território goiano, fortalecendo arrecadação, geração de empregos e autonomia econômica.
Terras raras de Goiás podem mudar a economia do estado
Atualmente, a mina de Serra Verde, localizada em Minaçu, no Norte de Goiás, é responsável pela única extração comercial em larga escala de terras raras em operação no Brasil. A produção chega a até 5 mil toneladas por ano dos óxidos de disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr), minerais considerados essenciais para tecnologias avançadas.
Esses elementos são usados na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, chips, baterias e ímãs permanentes de alta performance, tornando-se peças estratégicas na corrida global por inovação e transição energética.
Apesar da produção expressiva, toda a matéria-prima ainda é enviada para a China para processamento, já que o país asiático domina mais de 90% da produção global desses minerais, mesmo possuindo cerca de 50% das reservas mundiais.
“Nossa intenção é impedir que o valor agregado dos nossos recursos, nosso minério e nossa riqueza, seja transferido para outros países para beneficiá-los. Buscamos e exigiremos investimentos na agregação de valor desses recursos em nosso estado. Este é o nosso principal objetivo”, garantiu o governador Daniel Vilela.
Governo de Goiás quer trazer indústria completa para o estado
Segundo o governador, a entrada da empresa americana USA Rare Earth Inc. (USAR) como nova sócia da Serra Verde fortalece o objetivo de consolidar Goiás como referência internacional em minerais estratégicos.
“Apresentamos ao CEO da Serra Verde, Ricardo Grosse, que continuará sendo o responsável pela operação brasileira dessa nova empresa, o nosso desejo de que as demais etapas dessa cadeia produtiva também possam acontecer e agregar valor aqui em Goiás”, completou.
Para acelerar esse processo, o Governo de Goiás firmou em março de 2026 um acordo com o governo dos Estados Unidos voltado à cooperação em minerais críticos e terras raras. A parceria busca estimular pesquisa, capacitação, desenvolvimento tecnológico e um ambiente regulatório mais competitivo.
O objetivo é instalar no estado estruturas completas de separação de terras raras, metalização, produção de ligas metálicas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio, transferindo para Goiás etapas industriais que hoje estão concentradas em poucos países.
Além disso, em 2025, foi aprovada uma lei estadual que cria uma estrutura de governança e incentivos para o fortalecimento da indústria de minerais estratégicos, impulsionando operações já existentes em Minaçu, Nova Roma e Iporá.
Com essa movimentação, Goiás busca deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passar a ocupar posição estratégica no mercado global de alta tecnologia.


