A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Repasse com foco no combate à mineração ilegal de ouro no município de Santaluz, no interior da Bahia. As investigações apontam que a atividade clandestina pode ter provocado prejuízos ambientais superiores a R$ 180 milhões ao longo dos últimos anos.
Esquema de mineração ilegal utilizava rejeitos para extração de ouro
De acordo com a Polícia Federal, a ação é continuidade de etapas anteriores conduzidas entre 2023 e 2024, que já haviam identificado a atuação estruturada de um grupo envolvido na mineração ilegal do minério.
As apurações indicam que os investigados ampliaram o esquema ao instalar laboratórios clandestinos destinados ao processamento de rejeitos oriundos de moagens realizadas por garimpeiros ilegais. Nesses locais, eram empregados métodos químicos típicos da indústria, como a lixiviação, para extrair ouro residual.
O processo envolvia o uso de cianeto de sódio — substância altamente tóxica e de controle rigoroso —, além de outros compostos químicos que representam riscos significativos tanto ao meio ambiente quanto à saúde humana.
Mandados e apreensão de bens
Nesta fase da operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Santaluz. A medida visa recolher bens já bloqueados pela Justiça, além de identificar novos ativos que possam estar vinculados ao esquema investigado.
A Polícia Federal também destacou que o uso irregular de substâncias como o cianeto de sódio e o cianeto de potássio pode gerar consequências graves, incluindo contaminação de solo e água, além de riscos diretos à população local.
Crimes investigados podem resultar em até 29 anos de prisão
Os envolvidos foram indiciados por uma série de crimes, entre eles usurpação de bens da União, associação criminosa, posse de explosivos, extração ilegal de recursos minerais, armazenamento indevido de substâncias tóxicas e lavagem de dinheiro.
Somadas, as penas previstas podem alcançar até 29 anos de prisão, reforçando a gravidade das práticas investigadas e o impacto causado pela atividade ilegal na região.
A operação evidencia o avanço das autoridades no combate a crimes ambientais e à exploração irregular de recursos minerais, prática que segue como um dos principais desafios em áreas de garimpo no país.


