O setor mineral brasileiro pode encarar um gargalo estratégico nos próximos anos, com impacto direto na economia e nos investimentos bilionários da indústria. A avaliação é de Lucas Kallas, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, que durante entrevista a CNN, projeta um cenário preocupante para o escoamento da produção até o início da próxima década.
Capacidade portuária entra no radar e preocupa grandes players
De acordo com o executivo, o avanço simultâneo da produção entre as principais mineradoras pode levar a uma limitação crítica da infraestrutura portuária já a partir de 2030 ou 2031. O problema, segundo ele, não está na produção em si, mas na dificuldade de escoar o volume extraído.
A preocupação cresce diante do risco de investimentos de grande porte ficarem comprometidos por falta de logística adequada. Sem capacidade suficiente nos portos, projetos que movimentam bilhões podem enfrentar paralisações ou perda de competitividade no mercado internacional.
Diante desse cenário, a Cedro optou por investir em estrutura própria, reduzindo a dependência de grandes operadores logísticos e mineradoras que já concentram boa parte da capacidade disponível.
Minério de alto teor e redução de carbono ganham protagonismo
Outro ponto destacado por Kallas é a transformação da indústria mineral diante das exigências ambientais globais. A empresa tem direcionado sua estratégia para a produção de minério de alto teor, conhecido como pellet feed, que apresenta menor impacto ambiental.
Esse tipo de produto pode reduzir significativamente as emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva, chegando a uma diminuição de cerca de 50%. A tendência, segundo o executivo, é que minérios mais sustentáveis passem a ter maior valorização no mercado internacional, acompanhando a pressão global por descarbonização.
Inovação ambiental e reaproveitamento de recursos impulsionam eficiência
A Cedro também tem investido em práticas ambientais avançadas, buscando maior eficiência operacional e redução de impactos. Entre as iniciativas, está a eliminação de estruturas consideradas mais arriscadas, como barragens de rejeitos a montante, além da adoção de sistemas de filtragem.
Com essas tecnologias, a empresa consegue reaproveitar entre 80% e 90% da água utilizada no processo produtivo, reduzindo a dependência de recursos naturais e aumentando a sustentabilidade das operações.
Dependência da China expõe fragilidade do mercado brasileiro
Apesar do potencial da mineração nacional, o setor ainda enfrenta um desafio estrutural importante: a forte dependência da demanda externa, especialmente da China.
Atualmente, a maior parte do minério de ferro produzido no Brasil é destinada à exportação, o que torna o país vulnerável às oscilações da economia chinesa. Qualquer desaceleração no gigante asiático pode impactar diretamente o desempenho da mineração brasileira.
Expansão internacional e diversificação de investimentos
Além de fortalecer sua atuação no minério de ferro, a Cedro também avalia novas oportunidades fora do Brasil. Entre os planos, está a expansão para o setor de petróleo onshore em mercados internacionais, com foco na América Latina e possíveis investimentos nos Estados Unidos.
A estratégia busca diversificar as fontes de receita e reduzir riscos, ampliando a presença da companhia em diferentes segmentos e regiões.


