Projetos de exploração de terras raras no sul de Minas Gerais estão ganhando impulso com apoio da área econômica do governo federal, incluindo sinalizações favoráveis de financiamento por instituições como o BNDES e a Finep. Apesar do avanço, os empreendimentos enfrentam questionamentos sobre possíveis impactos ambientais relevantes.
As iniciativas são conduzidas por empresas estrangeiras e já contam com licenças iniciais concedidas pelo governo estadual, mesmo diante de recomendações contrárias do Ministério Público Federal.
Riscos ambientais colocam projetos no centro do debate
Entre as principais preocupações estão possíveis impactos sobre recursos hídricos e aquíferos que abastecem regiões de Minas Gerais e também áreas do estado de São Paulo. Estudos apontam risco de comprometimento de nascentes, com estimativas indicando que um dos projetos pode afetar até 98 pontos de origem de água.
Especialistas também levantam dúvidas sobre o elevado consumo hídrico das operações, que poderia alcançar volumes expressivos diariamente, além de possíveis riscos associados à presença de elementos radioativos em determinadas etapas da atividade mineral.
Governo federal se divide sobre condução do licenciamento da exploração de terras raras
O tema tem provocado divergências dentro do próprio governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avalia a possibilidade de transferir o processo de licenciamento para o Ibama, considerando que os impactos ultrapassariam limites estaduais.
Na mesma linha, o ministro Guilherme Boulos afirmou que o processo não será acelerado sem análise adequada, indicando cautela na condução do tema.
Congresso discute medidas e até moratória
No Legislativo, parlamentares também se mobilizam diante do avanço dos projetos. O deputado Patrus Ananias propôs a criação de uma reserva nacional voltada às terras raras na região, o que colocaria o controle do licenciamento sob responsabilidade da União.
Já o deputado Miguel Ângelo defende a suspensão temporária desse tipo de atividade em todo o país por um período de um ano, até que seja estruturada uma política nacional específica para minerais críticos.
Empresas defendem projetos e negam impactos
As mineradoras responsáveis pelas iniciativas afirmam que seguem padrões internacionais de sustentabilidade e garantem que os estudos ambientais realizados não apontam riscos significativos para regiões fora de Minas Gerais.
Segundo as empresas, os projetos são estratégicos para o desenvolvimento econômico e para o posicionamento do Brasil no mercado global de minerais essenciais à transição energética.
O avanço dos projetos ocorre em meio à crescente competição internacional por minerais estratégicos, fundamentais para tecnologias limpas e inovação industrial. Esse cenário amplia a pressão por decisões rápidas, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.


