A Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgou que o setor mineral movimentou cerca de R$ 2 bilhões em 2025 no Tocantins. Entre os destaques da produção estão a extração de ouro, esmeraldas, calcário, fosfato, gipsita, ferro, manganês, quartzo, granada e materiais voltados à construção civil.
De acordo com o levantamento da agência, foram arrecadados R$ 35,42 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no ano passado, valor que representa crescimento de 17% em relação ao ano anterior. O estado também conta com 117 empresas em operação na extração de diversas substâncias, sendo 39 diretamente ligadas à atividade mineral. Juntas, elas respondem por mais de 4 mil empregos e por investimentos projetados em R$ 4 bilhões até 2027.
Medidas para fortalecer a mineração
O governo do Tocantins tem adotado medidas para fortalecer o setor mineral e ampliar sua competitividade. Entre as iniciativas está a criação do Grupo de Trabalho Interinstitucional de Desenvolvimento Mineral (GT Minerato), coordenado pela Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços (Sics).
O grupo reúne órgãos estratégicos da administração estadual para articular políticas públicas voltadas à expansão da mineração, ao fortalecimento da segurança jurídica e à atração de novos investimentos. O estado também lançou o primeiro curso técnico em mineração, voltado à formação de mão de obra especializada para atender à crescente demanda do setor.
O governador do Wanderlei Barbosa destacou o potencial mineral do estado.
“O Tocantins tem um grande potencial mineral e o objetivo do nosso governo é criar as condições para que esse setor se desenvolva de forma organizada, com segurança jurídica e geração de oportunidades para a população. A criação do grupo de trabalho, por exemplo, e o investimento em qualificação profissional demonstram o compromisso em estruturar a mineração para o desenvolvimento econômico”, disse o chefe do Executivo.
Arrecadação e municípios beneficiados
Segundo a ANM, em 2025 os municípios tocantinenses receberam R$ 18,78 milhões em distribuição da CFEM. As cidades que mais recolheram recursos foram Almas (R$ 15,80 milhões), Bandeirantes do Tocantins (R$ 5,79 milhões), Xambioá (R$ 3,40 milhões), Natividade (R$ 2,52 milhões) e Taguatinga (R$ 1,48 milhão).
Entre os municípios que mais receberam a distribuição da CFEM em 2025, lideram Almas (R$ 8,42 milhões), Bandeirantes do Tocantins (R$ 2,97 milhões), Xambioá (R$ 1,90 milhão), Natividade (R$ 1,30 milhão) e Taguatinga (R$ 781 mil).
No primeiro bimestre de 2025, o Tocantins exportou cerca de 374 quilos de ouro, com faturamento de US$ 30,72 milhões. No acumulado do ano, o estado registrou US$ 3,048 bilhões em exportações totais. O ouro respondeu por 1,9 tonelada exportada e por 6,5% das vendas externas. Segundo a ANM, a atividade mineral já está presente em 56 municípios tocantinenses.
Estrutura regulatória e incentivos
O estado também possui 119 requerimentos de lavra garimpeira, 92 autorizações de pesquisa, 812 cessões de direito e 112 licenciamentos, além de 117 empresas em operação na extração de diferentes substâncias.
Para estimular o setor, o governo estadual mantém incentivos fiscais por meio do Programa de Industrialização Direcionada (Proindústria), iniciativa voltada à atração e instalação de indústrias no estado.
Qualificação profissional e articulação institucional
O Grupo de Trabalho Interinstitucional de Desenvolvimento Mineral (GT Minerato) foi instituído por decreto publicado no Diário Oficial do Estado em 26 de fevereiro e tem como objetivo articular ações entre diferentes órgãos do governo para fortalecer o setor mineral.
A iniciativa reúne instituições como a Procuradoria-Geral do Estado do Tocantins (PGE), a Secretaria de Estado da Fazenda do Tocantins (Sefaz), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan), a Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto), o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e a Companhia de Mineração do Tocantins (Mineratins).
O secretário da Sics, Milton Neris, afirmou que a iniciativa busca integrar os órgãos governamentais e criar um ambiente mais seguro para investimentos.
“Estamos estruturando uma agenda que combina planejamento, previsibilidade e segurança jurídica, para que a mineração avance com responsabilidade socioambiental e gere resultados concretos para a população. O nosso foco é organizar processos, integrar os órgãos do Governo em uma atuação coordenada e criar um ambiente de negócios mais eficiente, capaz de atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas ligadas ao setor, com mais emprego e renda”, comentou.
Curso técnico em mineração
O governo estadual, por meio da Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto), lançou o curso técnico em mineração com 420 vagas distribuídas em 14 municípios. A iniciativa ocorre em parceria com o Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e terá duração de 18 meses.
A formação reúne conteúdos teóricos e práticos organizados em três módulos de qualificação: Operador de Mina, Amostrador e Beneficiador de Minérios e Máquinas Pesadas e Equipamentos de Mineração.
Projeto Monte do Carmo
O Tocantins está prestes a receber um dos maiores investimentos no setor mineral com a implantação do Projeto Monte do Carmo, na região central do estado. A iniciativa da Hochschild Mining prevê investimento de cerca de US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,4 bilhão) para a construção da unidade mineradora.
O empreendimento abrange cerca de 82 mil hectares de concessões minerais, com recursos de ouro já identificados por meio de estudos e programas de perfuração. A localização também conta com infraestrutura estratégica, como acesso por rodovia pavimentada e proximidade com Palmas e com a Usina Hidrelétrica Isamu Ikeda.
Atualmente, o projeto está em fase inicial de pesquisa e desenvolvimento, com atividades voltadas à exploração, pesquisa geológica e testes metalúrgicos em laboratório e em escala piloto.
“O projeto Monte do Carmo representa um investimento relevante que pode contribuir para o fortalecimento da economia local e para a geração de oportunidades no Tocantins. A chegada de um empreendimento dessa magnitude tende a movimentar a cadeia produtiva, estimular novos negócios e ampliar as perspectivas de desenvolvimento para a região, sempre com o compromisso de conduzir suas operações com responsabilidade e planejamento de longo prazo”, explicou Ediney Drummond, Country Manager da Hochschild Brasil.
Almas e a formação de novos profissionais
O município de Almas é conhecido como a “capital do ouro” e abriga um projeto da Aura Minerals. Diante da crescente demanda por profissionais, em 2025 a Escola Estadual Girassol de Tempo Integral Agropecuário de Almas passou a oferecer o curso técnico em mineração em parceria com a empresa.
A diretora da unidade, Luciana Castro de Andrade, destacou que a atividade mineral tem despertado o interesse dos jovens.
“Aumentou a busca por empregos, capacitação e informações sobre o setor. O curso tem duração de três anos, em que os alunos têm aulas teóricas e práticas; visitas técnicas à mineradora; e palestras com profissionais da área e atividades em laboratório, o que é muito importante para a qualificação local e as oportunidades de empregos”, comentou a educadora.
Além da formação técnica, a escola desenvolve um projeto de reflorestamento em parceria com a mineradora e estudantes do curso de agropecuária. A iniciativa busca proteger nascentes e ampliar áreas de mata ciliar na região.
O professor e coordenador Arialdo Castro destacou os resultados do projeto.
“Já conseguimos reflorestar uma área significativa ao redor da nascente”, comentou.


