O novo regime tarifário dos Estados Unidos deve poupar 46% dos produtos brasileiros exportados ao país, o equivalente a US$ 17,5 bilhões, informou nesta terça-feira (24) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A principal mudança é a exclusão das aeronaves das novas tarifas. O produto passa a ter alíquota zero para ingresso no mercado norte-americano, ante a tributação anterior de 10%. Segundo o ministério, as aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e conteúdo tecnológico.
Decisão judicial altera cenário
As alterações decorrem de decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que derrubou as chamadas tarifas recíprocas impostas pelo governo do presidente Donald Trump com base em legislação de emergência nacional.
Com a nova ordem executiva publicada em 20 de fevereiro, o governo norte-americano redefiniu a aplicação das tarifas sobre produtos importados.
Como ficam as exportações brasileiras
De acordo com o Mdic, o novo cenário se distribui da seguinte forma:
- 46% das exportações (US$ 17,5 bilhões): sem qualquer sobretaxa adicional;
- 25% (US$ 9,3 bilhões): sujeitos à tarifa global de 10%, aplicada com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, podendo subir para 15%;
- 29% (US$ 10,9 bilhões): permanecem sob tarifas setoriais da chamada Seção 232, mecanismo aplicado com base em argumentos de segurança nacional, como nos casos de aço e alumínio.
Antes das mudanças, cerca de 22% das exportações brasileiras estavam sujeitas a sobretaxas que chegavam a 40% ou 50%.
Setores beneficiados
Além das aeronaves, o novo regime amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano.
Entre os setores beneficiados estão:
- Máquinas e equipamentos
- Calçados
- Móveis
- Confecções
- Madeira
- Produtos químicos
- Rochas ornamentais
Esses produtos deixam de enfrentar tarifas de até 50% e passam a competir sob alíquota isonômica de 10% — eventualmente 15%.
No setor agropecuário, pescados, mel, tabaco e café solúvel também deixam a alíquota de 50% e passam para a tarifa geral de 10% (ou até 15%).
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, alta de 2,2% em relação a 2024.
- Exportações brasileiras: US$ 37,7 bilhões
- Importações: US$ 45,1 bilhões
- Déficit comercial para o Brasil: US$ 7,5 bilhões
O Mdic ressalta que os dados foram estimados com base nas exportações do ano passado e podem sofrer variações conforme critérios técnicos de classificação tarifária e destinação específica dos produtos.


