A australiana Magnum Mining and Exploration anunciou resultados preliminares positivos em seu projeto Azimuth, voltado à exploração de terras raras em Goiás. Após o comunicado ao mercado, as ações da companhia dispararam cerca de 20% na bolsa australiana. A empresa detém 100% do projeto.
Apesar da reação imediata dos investidores, o estágio do empreendimento ainda é extremamente inicial. A conversão de uma descoberta exploratória em mina comercial envolve anos de perfuração adicional, definição de recursos conforme padrões internacionais, obtenção de licenciamento ambiental, estudos econômicos detalhados e estruturação de financiamento — etapas que ainda não foram cumpridas.
Modelo de argila iônica chama atenção
Segundo a companhia, testes metalúrgicos confirmaram que os elementos de terras raras estão adsorvidos na superfície de partículas de argila, caracterizando o depósito como do tipo “argila iônica”.
Esse modelo é considerado estratégico por permitir extração com processos mais simples e menos agressivos. Diferentemente dos depósitos de rocha dura, que exigem britagem intensa e uso de grandes volumes de ácidos fortes ou altas temperaturas, os projetos de argila iônica utilizam soluções mais leves, o que tende a reduzir consumo energético, custos operacionais e geração de rejeitos agressivos.
Além disso, esses depósitos geralmente ocorrem próximos à superfície, diminuindo a necessidade de escavações profundas e, potencialmente, o investimento inicial em infraestrutura de mina.
Os testes divulgados apontaram recuperações de até 75% de óxidos totais de terras raras e 94% de óxidos magnéticos — índices considerados elevados em comparação com diversos projetos globais do mesmo tipo.
No entanto, alta recuperação metalúrgica não garante viabilidade econômica. As perfurações realizadas até o momento são preliminares, de pequena profundidade e feitas majoritariamente com trado, método típico das fases iniciais de exploração.
Para que o projeto avance, será necessário comprovar a existência de volume suficiente e contínuo de minério, com teor adequado para sustentar anos de produção. Também entram na equação os custos de implantação da planta industrial, infraestrutura, energia, logística, licenciamento ambiental e o comportamento dos preços internacionais das terras raras.
Sem o fechamento dessa equação econômica, mesmo um material com boa recuperação pode não se tornar comercialmente atrativo.
Projeto greenfield e ausência de recursos estimados
O Azimuth é um projeto greenfield — ou seja, desenvolvido a partir do zero — e ainda não possui estimativa oficial de recursos minerais publicada, nem estudo econômico preliminar ou financiamento estruturado.
A empresa controla 72 concessões que somam aproximadamente 1,2 mil km² em Goiás e Minas Gerais, e segue na etapa de delimitação da continuidade lateral da mineralização.
A área está próxima ao projeto da Serra Verde Pesquisa e Mineração, em Goiás, atualmente a única operação comercial de terras raras do tipo argila iônica fora da Ásia.
A proximidade geológica aumenta o interesse do mercado, mas não assegura equivalência de escala ou maturidade. O empreendimento da Serra Verde levou mais de uma década entre exploração, estudos e desenvolvimento até alcançar a produção comercial.
Corrida global por minerais críticos
A descoberta ocorre em um contexto de crescente demanda global por minerais críticos, impulsionada pela eletrificação da economia, expansão da geração eólica e fortalecimento da indústria de defesa.
Elementos como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio são essenciais para a produção de ímãs permanentes de alta performance, utilizados em motores elétricos, turbinas e equipamentos estratégicos.


