A reestruturação do transporte coletivo municipal e a implantação do Projeto Tarifa Zero estiveram no centro do debate durante audiência pública realizada pela Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, na segunda-feira (9). O encontro reuniu representantes do Poder Público, Ministério Público, técnicos da área, empresas interessadas na operação do sistema e moradores da sede e dos distritos, evidenciando divergências, demandas históricas e desafios estruturais da mobilidade urbana no município.
Durante a apresentação técnica, o Executivo defendeu a Tarifa Zero como uma política pública de inclusão social e mobilidade, com potencial para ampliar o acesso da população ao trabalho, à educação, aos serviços de saúde e às atividades de lazer, além de reduzir desigualdades no deslocamento diário. O projeto, no entanto, prevê inicialmente a gratuidade apenas para usuários da sede do município, ponto que concentrou parte significativa das críticas e questionamentos.
Críticas dos usuários e problemas estruturais
Moradores que utilizam o transporte coletivo relataram uma série de problemas recorrentes no sistema atual, como a redução de horários, sobretudo no período noturno e aos fins de semana, a utilização de veículos antigos, a falta de pontos de ônibus com cobertura, rotas consideradas pouco eficientes e a ausência de um sistema oficial de monitoramento, que permita fiscalização em tempo real e maior transparência na operação.
Segundo os participantes, as deficiências comprometem o acesso ao trabalho e aos serviços essenciais, especialmente para quem depende exclusivamente do transporte público.
Distritos questionam modelo proposto
Representantes de comunidades dos distritos manifestaram preocupação com o modelo apresentado, apontando desigualdade no acesso ao benefício. Eles questionaram o fato de a gratuidade ser aplicada apenas na sede, enquanto os moradores das áreas mais afastadas continuariam pagando tarifa, apesar de dependerem ainda mais do transporte para acessar serviços públicos concentrados na área urbana.
Ministério Público e empresas levantam alertas
Durante a audiência, representantes do Ministério Público e de empresas interessadas na operação do sistema sugeriram que a Tarifa Zero seja avaliada em todo o território municipal, e não apenas na sede. Também foram levantadas dúvidas sobre os mecanismos de controle, fiscalização, custeio e forma de pagamento do serviço, aspectos considerados fundamentais para garantir a sustentabilidade financeira e a eficiência do modelo.
*Divergência entre vereadores*
O debate também revelou posições divergentes entre os vereadores presentes. Enquanto parte defendeu a manutenção da cobrança como forma de garantir equilíbrio econômico ao sistema, outros parlamentares se posicionaram favoráveis à ampliação da gratuidade, desde que acompanhada de melhorias na qualidade do serviço e critérios técnicos claros.
*Próximos passos*
Ao final do encontro, a Prefeitura avaliou a audiência como positiva e destacou que todas as contribuições, críticas e sugestões apresentadas serão analisadas pela equipe técnica responsável. Segundo o Executivo, o objetivo é aperfeiçoar o projeto antes do encaminhamento das próximas etapas, buscando um modelo que concilie acesso, qualidade, sustentabilidade financeira e justiça social.


