Nos últimos meses, o mercado de ouro tem se mostrado extremamente volátil, com flutuações que desafiam os investidores e geram incertezas. O Cidades & Minerais entrevistou Vitor Cavalieri, Head de Internacional da InvestSmart XP, que falou sobre os fatores que impulsionam essas oscilações são diversos que se conectam com grandes movimentos macroeconômicos globais.
A valorização do ouro em 2025, que chegou a 70% no ano, tem muito a ver com o contexto de desconfiança em relação ao dólar, o que gerou uma fuga para o metal precioso. A política monetária do FED e os movimentos de alavancagem no mercado de contratos futuros também são elementos essenciais nesse cenário.
Metal como “porto seguro” continua firme, mas com desafios
Apesar da recente queda e recuperação do preço do ouro, muitos investidores ainda se perguntam se ele continuará sendo um ativo seguro em tempos de incerteza. Cavalieri acredita que o metal continuará a desempenhar esse papel de refúgio, principalmente em momentos de desaceleração econômica, perdas de credibilidade fiscal e tensões geopolíticas. Ele também destaca que as flutuações de curto prazo estão fortemente ligadas às expectativas sobre as decisões do FED em relação às taxas de juros.
A relação entre as taxas de juros e o preço do ouro tem sido uma das maiores preocupações dos investidores. Quando as taxas de juros reais são altas, o “custo de oportunidade” de manter ouro — que não gera rendimento — se torna mais relevante. Cavalieri explica que, até recentemente, havia uma expectativa de cortes agressivos nos juros por parte do FED, mas com a mudança na liderança do banco central, essa expectativa foi moderada, resultando em oscilações no preço do ouro.
O papel do ouro diante dos desafios geopolíticos
Com os conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e as tensões com a China, o ouro tem ganhado ainda mais relevância como reserva de valor. Segundo Cavalieri, esses cenários de incerteza geopolítica reforçam a demanda por ouro, principalmente devido ao uso político do dólar e as sanções internacionais. A crescente diversificação das reservas de ouro por parte de países em todo o mundo é um reflexo dessa necessidade de reduzir a dependência do dólar.
Embora o ouro continue sendo um dos principais ativos de hedge contra a inflação no longo prazo, Cavalieri afirma que, para o curto prazo, outros ativos, como petróleo, commodities cíclicas e até imóveis, podem ganhar destaque, dependendo das circunstâncias econômicas. A inflação elevada em várias partes do mundo faz com que os investidores busquem proteção, e o ouro permanece como uma opção sólida, principalmente no longo prazo.
Como investir no mercado de ouro?
Para os investidores interessados em se posicionar no mercado de ouro, a recomendação de Cavalieri é clara: ETFs (fundos de índice) são a opção mais acessível e líquida. Esses fundos oferecem uma exposição imediata ao ouro, com baixo custo e sem a necessidade de lidar com a logística de compra física.
Já os contratos futuros exigem maior conhecimento e acesso a plataformas mais avançadas, além de envolverem um risco mais elevado devido à alavancagem. A compra física de ouro é uma opção tradicional e segura, mas apresenta desafios de preço e armazenamento.
Cavalieri acredita que o ouro continuará a ser um dos principais ativos de preservação de valor, mesmo com a crescente diversidade de opções no mercado. De acordo com ele, os bancos centrais estão cada vez mais aumentando sua exposição ao ouro, e os investidores mais profissionais continuam a considerá-lo uma parte essencial de seus portfólios. Além disso, ele destaca que estatísticas mostram que os portfólios que têm uma pequena exposição ao ouro tendem a melhorar a relação entre rentabilidade e volatilidade.


