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Aço: distribuidores defendem repasse gradual de reajustes e alertam para estoques elevados

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O setor de distribuição de aços planos no Brasil avalia que os reajustes anunciados pelas usinas devem ser repassados aos clientes de forma gradual. O aumento, divulgado para janeiro, provocou uma antecipação de compras, elevando os estoques das distribuidoras acima da média histórica. A expectativa do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) é de que os preços fiquem cerca de 12% superiores aos praticados em 2025.

“As usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo. Nós é que não estamos conseguindo implantar o aumento para os nossos clientes, estamos implantando parcialmente, porque o nosso estoque dos distribuidores está muito alto. O anúncio de preço para janeiro fez com que houvesse uma antecipação muito grande, uma compra maior do que seria normal”, explica o presidente executivo da Inda, Carlos Jorge Loureiro.

Estoques acima do padrão histórico

O estoque das distribuidoras cresceu cerca de 50 mil toneladas, passando de 1,08 milhão para 1,13 milhão de toneladas.

“Apesar de dezembro ser um mês em que os estoques costumam aumentar, esse nível está acima do padrão. O normal seria algo em torno de 3,7 a 3,8 vezes o giro. Chegar a 4,5 vezes é muito elevado e está bem acima do que seria desejável”, afirma Loureiro.

Um novo reajuste pode ocorrer no fim de fevereiro, segundo o executivo, condicionado a uma reunião do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), que deve discutir as acusações de dumping feitas pelas siderúrgicas brasileiras contra a China.

A possibilidade de novo aumento também é vista como uma forma de pressionar as distribuidoras a anteciparem novas compras antes de um eventual reajuste adicional.

Um dos argumentos que embasam a acusação de dumping é a evolução dos preços do laminado a quente entre 14 de dezembro e 14 de janeiro. Nos Estados Unidos, o aumento foi de US$ 38 por tonelada, chegando a US$ 983. Na Europa, a alta foi de US$ 23, com a tonelada custando US$ 735. Já na China, a variação foi de apenas US$ 2, com o produto passando a US$ 405 por tonelada – valor bem abaixo da média mundial, de US$ 458.

O preço é classificado por Loureiro como “inacreditável”. “Há, de fato, dumping e um subsídio governamental muito forte ao aço chinês”, afirma. O tema deve ser discutido pelo governo brasileiro e, caso as irregularidades sejam confirmadas, a tendência é a aplicação de uma taxa adicional ou o estabelecimento de cotas para a importação do produto.

Perspectivas fracas para o início de 2026

De acordo com o presidente do Inda, o início de 2026 não deve ser positivo, conforme levantamento realizado junto aos associados, embora a expectativa seja de melhora no segundo semestre. A projeção inicial aponta para um crescimento modesto de 1,5% no ano.

“Estamos começando o ano com perspectivas ruins. Fizemos um levantamento com os associados e, embora possa haver alguma melhora nas próximas semanas, o desempenho inicial foi muito fraco. Caso se confirme a previsão de vendas de 285 mil toneladas, isso representaria um crescimento de apenas 15% em relação a dezembro. No entanto, em janeiro do ano passado, foram vendidas 320 mil toneladas, ou seja, estamos quase 11% abaixo do resultado anterior”, explica Loureiro.

A expectativa de redução nas importações de aço no segundo semestre pode contribuir para um desempenho melhor nos últimos seis meses do ano. Segundo o executivo, as importações podem recuar entre 15% e 20%. Ainda assim, o setor não prevê crescimento expressivo.

Importações atingem maior participação em dez anos

Os aços planos importados representaram 29,5% do total consumido no Brasil em 2025, percentual superior ao registrado em 2024 (22,5%) e em 2023 (23,4%), atingindo o maior patamar dos últimos dez anos.

Levantamento do Inda mostra que, na última década, as importações de aços planos cresceram 111%, passando de 1,579 milhão de toneladas em 2015 para 3,329 milhões de toneladas em 2025. O avanço se intensificou a partir de 2021, quando as importações superaram 2 milhões de toneladas.

A China segue como principal fornecedora, com mais de 2,3 milhões de toneladas em 2025, seguida pela Coreia do Sul, com quase 650 mil toneladas, e pelo Egito, com 141 mil toneladas.

“A China cresceu 0,6%, mas o grande destaque foi a Coreia do Sul, com crescimento de 380% nas exportações para o Brasil em relação ao ano anterior. O Egito também teve alta expressiva, de 240%”, destaca Loureiro.

Exportações crescem apesar das tarifas dos EUA

As exportações de aços planos cresceram 22,8% entre 2024 e 2025, passando de pouco mais de 6,5 milhões de toneladas para mais de 8 milhões.

“Apesar dos problemas relacionados ao dumping e das tarifas impostas pelos Estados Unidos, houve um crescimento significativo nas exportações de placas, que passaram de 6 milhões para 8 milhões de toneladas, um avanço de 22,8%”, comemora o presidente do Inda.

Os Estados Unidos foram o principal destino do aço brasileiro, respondendo por 46,6% das exportações, o equivalente a 469,5 mil toneladas. Segundo Loureiro, mesmo com o aumento das tarifas norte-americanas de 25% para 50%, as compras do produto brasileiro continuaram.

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