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Sete anos após a tragédia de Brumadinho falhas no setor de mineração ainda marcam o cenário

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Sete anos após o trágico rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), a tragédia que ceifou 272 vidas ainda é um marco doloroso da ineficiência do Estado brasileiro em transformar o desastre em aprendizado e mudança estrutural. A AMIG Brasil – Associação Brasileira dos Municípios Mineradores – aponta que, apesar de acordos bilionários, iniciativas de transparência e discursos oficiais, a realidade nos territórios minerados continua a revelar uma falta de ação efetiva para evitar que tragédias como essa se repitam.

Falta de mudanças após a tragédia

Para a AMIG Brasil, a tragédia de Brumadinho deveria ter servido de divisor de águas para o setor de mineração no Brasil, forçando uma reavaliação profunda das práticas de fiscalização e governança. “O governo federal e os estaduais deveriam ter tomado medidas firmes para evitar que isso acontecesse novamente, mas, sete anos depois, vemos os mesmos erros, com impunidade e fragilidade institucional”, declara Marco Antônio Lage, presidente da AMIG Brasil.

A associação critica a atuação da Agência Nacional de Mineração (ANM), afirmando que a fiscalização é insuficiente e que o modelo atual continua a concentrar riscos e custos nos municípios minerados, enquanto os benefícios da mineração são desigualmente distribuídos.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo PoderData entre 27 e 30 de dezembro de 2025, 52% dos brasileiros apoiam a prisão preventiva dos ex-dirigentes da Vale e responsáveis técnicos pelo rompimento da barragem de Brumadinho. Além disso, 80% consideram a atuação da Justiça lenta ou omissa na responsabilização dos envolvidos, evidenciando uma percepção generalizada de impunidade.

Outro dado preocupante é que 68% dos entrevistados acreditam que tragédias como a de Brumadinho podem se repetir no Brasil, indicando uma desconfiança tanto na capacidade de fiscalização do Estado quanto nas práticas de segurança adotadas pelas empresas mineradoras.

Acordo de reparação e seus limites

Embora o acordo de reparação firmado em fevereiro de 2021 entre a Vale, o Governo de Minas Gerais e o Ministério Público — um dos maiores da história do país, no valor de R$ 37,7 bilhões — tenha gerado expectativas de reparação, os resultados concretos ainda são insatisfatórios.

A situação é mais crítica nas áreas mais afetadas pela tragédia, como o marco zero, onde o avanço das ações de reparação é de apenas 5%. O Rio Paraopeba, que sofreu impactos severos, ainda apresenta diversas deficiências, enquanto os impactos mais profundos seguem sem a devida atenção.

Os efeitos da tragédia ainda são sentidos pela população de Brumadinho. Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela que 70% dos domicílios do município relataram adoecimentos físicos ou mentais desde o rompimento da barragem. Sintomas como estresse, ansiedade e hipertensão são comuns, e 52% dos adultos passaram por tratamento psicológico ou psiquiátrico.

Além disso, 77% das famílias vivem com medo da contaminação dos alimentos, especialmente devido à presença de metais pesados em diferentes matrizes ambientais. A água, principal vetor de risco, continua a ser um problema, com 85% dos domicílios relatando impactos no uso dos corpos d’água.

Perdas econômicas e reabertura da mineração

As perdas econômicas também são expressivas. Brumadinho poderia ter perdido entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões de Produto Interno Bruto (PIB) no longo prazo, caso o acordo de reparação não tivesse sido firmado. Com a aplicação dos recursos, o prejuízo estimado cai para R$ 4,2 bilhões a R$ 5,4 bilhões, mas ainda assim não desaparece.

A reabertura da Mina da Jangada, em 2025, reacendeu temores entre a população de Brumadinho. A mina, operada pela Itaminas, está localizada perto da área do Córrego do Feijão, e os moradores da comunidade de Jangada estão preocupados com o impacto da mineração no abastecimento de água e o possível rebaixamento do lençol freático. Para eles, a reabertura simboliza a continuidade de um modelo que não mudou desde 2019, gerando insegurança e sensação de abandono.

“Sem controle, sem arrecadação justa e sem responsabilidade efetiva, continuaremos contando anos e acumulando tragédias”, alerta Marco Antônio Lage. Para ele, a memória das vítimas de Brumadinho exige mais do que homenagens: exige justiça, reparação integral e mudanças estruturais em um setor que, enquanto não se reformar, continuará a colocar em risco a vida de pessoas, territórios e o meio ambiente.

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