Atualmente, o minério de ferro é o principal produto mineral do Brasil, superando até mesmo o ouro e as pedras preciosas. Ele é responsável pela maior parte das exportações do país e tem grande peso na arrecadação de Estados e Municípios, por meio da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Esse imposto, que é calculado com base no preço de venda do minério, pode sofrer grandes variações conforme os altos e baixos do mercado.
O impacto da queda do preço do minério de ferro
Em 2025, a valorização do dólar ajudou a conter a queda no preço do minério de ferro, mantendo os níveis de arrecadação esperados. No entanto, para 2026, especialistas apontam uma tendência de redução do preço do minério para abaixo dos US$ 100, o que poderá impactar diretamente o valor que Estados e Municípios receberão da CFEM. Essa possível queda é uma preocupação crescente para as finanças municipais, especialmente para aqueles que dependem fortemente da exploração mineral.
Luciana Mourão, consultora econômica da AMIG Brasil, alerta que os municípios que recebem recursos da CFEM oriunda da mineração de ferro precisam agir com cautela. “É fundamental que estados e municípios evitem decisões baseadas em picos de arrecadação e adotem uma postura mais conservadora”, orienta Mourão. A especialista destaca que o cenário de 2026 será um teste importante para a sustentabilidade fiscal dos municípios que dependem da mineração, e a diversificação econômica e o planejamento de longo prazo se tornam mais urgentes do que nunca.
Com a volatilidade do mercado de minério de ferro, as autoridades locais terão que se adaptar a um cenário de incertezas e buscar alternativas para garantir a saúde financeira a longo prazo.


