A Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela UNESCO, é um verdadeiro patrimônio natural, abrigando campos rupestres únicos e locais históricos como a Estrada Real. Além disso, é um destino turístico de destaque, com trilhas icônicas e paisagens deslumbrantes.
No entanto, um estudo recente do pesquisador Frank Alison de Carvalho, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), alerta para um grande problema: a paisagem da região está sendo “fatiada” pela mineração de quartzito, uma rocha ornamental altamente valorizada no mercado mundial de revestimentos.
Ameaça da mineração na Serra do Espinhaço
A mineração de quartzito tem crescido significativamente na Serra do Espinhaço, colocando em risco tanto o patrimônio natural quanto os atrativos turísticos da região. O estudo de Carvalho analisou dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e sobrepôs as informações com as principais rotas turísticas da área, como a Estrada Real, a Trilha Transespinhaço e a Trilha Verde da Maria Fumaça. O resultado não poderia ser mais preocupante: as áreas de maior beleza cênica e relevância turística são, justamente, as mais afetadas pelos projetos minerários.
A sobreposição direta entre os projetos de mineração e os corredores turísticos não é apenas um dado geográfico, mas um sinal de um problema maior. A destruição das paisagens naturais e a alteração radical da topografia afetam diretamente o ecoturismo, setor que depende da preservação e da beleza cênica da região.
Mirantes, trilhas e áreas de contemplação estão sendo invadidos por minas de quartzito, prejudicando a experiência dos turistas e, consequentemente, o desenvolvimento econômico e social da região. Para o ecoturismo, onde a valorização do ambiente natural é essencial, essa transformação se traduz em um grande prejuízo.


