Após mais de 75 dias de ocupação, o trecho da Ferrovia da Vale, entre Vitória a Minas que atravessa o território indígena Tupinikim, em Aracruz, no Espírito Santo, foi finalmente desbloqueado. A ação foi realizada na manhã de terça-feira (6), após a intervenção da Polícia Federal, com a desobstrução ocorrendo por volta das 11h40. A decisão seguiu a determinação do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), que havia concedido à mineradora um prazo de dez dias úteis para o cumprimento da ordem.
Desbloqueio da ferrovia da Vale com apoio da Polícia Federal
A decisão judicial, deferida no final de 2025, autorizou o desbloqueio da ferrovia, que já se arrastava por mais de dois meses. A mineradora, que havia solicitado o apoio das forças policiais, obteve a permissão para retomar a operação do trecho, afetado pela ocupação indígena. No entanto, a ação não põe fim ao movimento Tupinikim, que, embora tenha liberado a ferrovia, permanece firme em sua luta por direitos e reparação.
A Juventude Tupinikim não considera o desbloqueio como uma vitória completa, pois a sua mobilização segue em busca de reparação pelos danos socioambientais causados pelo crime ambiental de 2015, envolvendo a Samarco, Vale e BHP. Para os indígenas, os acordos de repactuação estabelecidos até o momento são insuficientes, sendo classificados como uma “violência institucional e apagamento” dos direitos do povo Tupinikim. A luta agora é por reparação integral e o reconhecimento das injustiças sofridas ao longo dos anos.


