A decisão da China de estabelecer uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes de carne bovina brasileira que superarem a cota anual de quase 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil pode reduzir as margens dos frigoríficos nacionais e gerar incertezas para produtores. No entanto, os efeitos práticos da medida só devem ser sentidos a partir do segundo semestre de 2026, alerta o Sindicato das Indústrias de Carnes, Derivados e do Frio de Minas Gerais (Sinduscarne-MG). O anúncio foi feito pelo governo chinês na última quarta-feira (31) e passou a valer já na quinta-feira (1º).
Entre janeiro e novembro de 2025, os chineses movimentaram mais de US$ 736 milhões em compras de carne bovina de Minas Gerais, volume equivalente a 138 mil toneladas no período, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG). Esse fluxo comercial coloca o Estado como o quarto principal fornecedor do produto para a China.
“Se o mecanismo de cotas e tarifas se mantiver ao longo dos próximos anos, o impacto será sentido diretamente no Brasil. A principal consequência será a necessidade de redirecionamento de volumes hoje destinados à China para outros mercados, muitas vezes com menor capacidade de absorção ou preços menos atrativos. Isso pode gerar pressão sobre os preços do boi gordo, redução de margens para frigoríficos e maior volatilidade no mercado interno”, afirma o presidente do Sinduscarne-MG, Pedro Braga.
Apesar disso, Braga avalia que a recente experiência do setor com as tarifas de 50% aplicadas pelo então presidente americano Donald Trump a produtos brasileiros, e retiradas em novembro de 2025, trouxe aprendizado ao País.
“A gente achou que ia quebrar o País, mas conseguimos redirecionar essas carnes. Chile, União Europeia, México e países árabes aumentaram bastante as compras. Agora, estamos falando do nosso principal cliente, mas acredito que Minas e o Brasil têm uma produção de qualidade para atender qualquer mercado do mundo”, destaca.
Os efeitos da medida sobre os produtores brasileiros só devem ser sentidos com o tempo, ressalta Pedro Braga, uma vez que a cota brasileira só deve ser ultrapassada no segundo semestre. “A expectativa deste ano é exportar cerca de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina”.
A proteína bovina é o segundo item do agronegócio mineiro mais comercializado com a China, ficando atrás apenas da soja. Cerca de 60% de toda a carne bovina exportada pelo Estado tem como destino o mercado chinês.


