Nesta semana, autoridades do Brasil e dos Estados Unidos retomam as negociações sobre minerais críticos e estratégicos, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre os dois países. Um evento será realizado em Washington reunindo grandes mineradoras, representantes dos governos e consultores do setor, para debater as oportunidades de parceria e o potencial do subsolo brasileiro.
Diversificação dos fornecedores de minerais críticos
As conversas ocorrem em um momento de crescente urgência por parte dos Estados Unidos em reduzir sua dependência da China no fornecimento de minerais críticos, especialmente as terras raras, insumos essenciais para as indústrias de defesa, inteligência artificial e energia limpa. Os Estados Unidos buscam diversificar suas fontes, dado que a China domina quase toda a cadeia produtiva de terras raras, desde o refino até a fabricação de componentes estratégicos, como ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa.
O Brasil, que possui grandes reservas de cobalto, cobre, níquel, lítio e elementos de terras raras, surge como um potencial aliado estratégico. Embora o país detenha a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ainda não extrai ou refina essas substâncias em larga escala, o que representa uma oportunidade de cooperação.
Representantes de destaque no evento
O evento contará com a presença de Ana Paula Lima Bittencourt, secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, que já se reuniu com Constantine Karayannopoulos, ex-CEO da Neo Performance Materials, gigante do setor de terras raras. A secretária brasileira e Isabella Cascarano, vice-secretária adjunta do Departamento de Comércio dos EUA, discutirão as potenciais parcerias e propostas para a agenda regulatória no setor de minerais críticos.
Outro ponto de destaque será a participação do deputado Arnaldo Jardim, relator da Política Nacional dos Minerais Críticos, que será apresentada aos representantes dos EUA. O projeto visa criar um marco regulatório para o setor e simplificar o licenciamento ambiental para projetos estratégicos, além de introduzir benefícios tributários relacionados ao uso de marcas e patentes. A proposta já é bem recebida pelo setor privado e pode representar um avanço importante para o Brasil na atração de investimentos e desenvolvimento da cadeia de minerais críticos.
O impacto da China no mercado global de terras raras
A concentração do mercado de terras raras nas mãos da China é um fator que preocupa países como os Estados Unidos. Segundo dados da IEA (Agência Internacional de Energia), cerca de 91% do refino mundial de terras raras é realizado por empresas chinesas, que também produzem 94% dos ímãs permanentes utilizados em diversos setores tecnológicos. Esse domínio geopolítico permite à China influenciar preços, controlar o acesso a recursos e ditar o ritmo de inovação em áreas como semicondutores, veículos elétricos e armazenamento de energia.
Para o Brasil, a cooperação com os Estados Unidos representa uma oportunidade estratégica para industrializar suas vastas reservas de minerais críticos, impulsionando a economia verde e consolidando sua posição nas cadeias globais de valor.


