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Raul Julgmann discursa na abertura da Exposibram 2025 e destaca a importância da mineração estratégica

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A Exposibram 2025, um dos maiores e mais importantes eventos do setor mineral da América Latina, começou com grande empolgação na noite de segunda-feira, 27 de outubro, em Salvador. O evento, que promete atrair mais de 30 mil visitantes até o dia 30 de outubro, é um marco não só para o Brasil, mas também para o Nordeste, que sedia a Exposibram pela primeira vez em sua história.

Com a presença de aproximadamente 2,2 mil congressistas de vários países, como China, Estados Unidos, França e Canadá, a Exposibram 2025 se tornou uma plataforma de discussões sobre a mineração e seu papel no desenvolvimento sustentável e estratégico do planeta. A edição deste ano tem como foco temas de grande relevância, como a transição energética, segurança alimentar, inovação tecnológica, e a crescente importância dos minerais críticos para as economias globais.

A abertura oficial contou com a presença de várias autoridades, entre elas o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Raul Julgmann, que destacou o papel fundamental da mineração no futuro da sociedade e a importância do evento para o fortalecimento da indústria no Brasil e no mundo.

Raul Julgmann e a visão do futuro para a mineração

Raul Julgmann iniciou seu discurso com uma saudação calorosa e, de forma descontraída, se dirigiu aos presentes na plateia, ressaltando a importância da Exposibram 2025. Ele destacou a histórica participação da Bahia no setor mineral, afirmando que o estado ocupa a terceira posição na produção mineral no Brasil, e que a Exposibram 2025 seria um divisor de águas para a Bahia, especialmente no que tange à atração de novos investimentos para o setor.

Julgmann enfatizou que o futuro do Brasil, e do mundo, depende da mineração, mais especificamente dos minerais críticos e estratégicos. “Estamos diante de um renascimento da mineração. A transição energética, a inovação tecnológica e até a segurança alimentar dependem, em última instância, dos minerais que encontramos em nosso solo”, afirmou Julgmann, reforçando que não há como imaginar uma economia sustentável sem a presença desses recursos.

Ele também fez questão de destacar a crescente demanda por minerais raros e essenciais para tecnologias de ponta, como chips e semicondutores, e como o Brasil precisa se preparar para lidar com essas novas exigências. “Se queremos um futuro com energias renováveis, com carros elétricos e com maior digitalização, os minerais são essenciais. E o Brasil tem um papel crucial nesse processo”, declarou o presidente do IBRAM.

Exposibram 2025 analisa desafios estruturais e a necessidade de mais investimentos

A Exposibram 2025 também foi uma oportunidade para o presidente do IBRAM abordar os principais desafios que o setor mineral enfrenta no Brasil. Um dos pontos destacados foi o mapeamento geológico nacional. Segundo Julgmann, o Brasil tem apenas 27% de seu território mapeado geologicamente, o que está muito abaixo de países como Canadá e Estados Unidos, que possuem mais de 90% de seus territórios mapeados. Ele defendeu uma maior agilidade no mapeamento e na exploração dos recursos minerais do país.

Outro ponto abordado foi a lentidão nos processos de licenciamento ambiental. Julgmann defendeu que, embora seja essencial cumprir as etapas ambientais, é preciso otimizar os processos para que o Brasil possa aproveitar as oportunidades de crescimento sem prejudicar o meio ambiente. “Não estamos falando de diminuir os critérios de sustentabilidade, mas sim de tornar os processos mais ágeis. O que não podemos é perder oportunidades enquanto aguardamos anos para uma licença ambiental”, disse.

Além disso, Julgmann alertou sobre a falta de investimentos na indústria mineral brasileira. Um dado importante que ele compartilhou foi que, atualmente, apenas quatro mineradoras brasileiras estão listadas na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), enquanto em mercados como o de Toronto, no Canadá, são mais de 40 as empresas mineradoras que buscam capitalização. Ele ressaltou que o Brasil precisa criar condições para fomentar e financiar sua indústria mineral, com políticas públicas eficazes que incentivem a atração de investimentos.

Bahia e sua importância crescente no setor mineral

Outro momento marcante da cerimônia foi a fala sobre a importância da Bahia para o setor mineral. Julgmann elogiou o esforço do governo estadual, que, pela primeira vez, trouxe a Exposibram para o Nordeste, destacando o compromisso do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, com a promoção da mineração no estado.

“A Bahia tem um enorme potencial mineral, e o governo está trabalhando para aproveitar ao máximo essas riquezas. Só entre 2025 e 2029, a Bahia deve receber cerca de 9 bilhões de dólares em investimentos no setor mineral, representando 13,2% de todo o investimento na indústria mineral brasileira”, afirmou Raul Julgmann. Ele também destacou o papel das pesquisas minerais e a importância da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) como um pilar estratégico para a produção mineral local.

O governador Jerônimo Rodrigues, que foi amplamente aplaudido durante o evento, também se pronunciou, destacando o compromisso da Bahia em se tornar um hub global de mineração sustentável. Ele ressaltou que a Exposibram 2025 é um marco para o estado e para o país, afirmando que a exposição é uma oportunidade única para colocar o Brasil em evidência no cenário internacional da mineração.

Impacto global da mineração e o futuro da indústria

Ao longo da cerimônia, Julgmann também fez questão de destacar o papel vital dos minerais no contexto global, especialmente com o aumento das questões relacionadas à mudança climática e à segurança energética. O setor mineral, segundo ele, tem a responsabilidade de fornecer os recursos necessários para a construção de um futuro sustentável.

“Minerais não são apenas recursos para a indústria. Eles são essenciais para a segurança energética, para a alimentação do mundo e para a defesa nacional. O Brasil, com seu vasto território e enorme potencial mineral, tem uma responsabilidade única. Estamos em uma encruzilhada histórica, onde devemos garantir que a mineração se alinhe com os objetivos globais de sustentabilidade”, afirmou Julgmann.

Ele também reforçou a necessidade de uma política nacional para a mineração, com foco no desenvolvimento sustentável, mapeamento geológico, e incentivos à inovação tecnológica. A criação do Conselho Nacional de Política Mineral, que deverá definir diretrizes para o setor nos próximos anos, foi outro ponto destacado como um avanço significativo para o futuro da mineração no Brasil.

O evento, que segue até o dia 30 de outubro, já é considerado um sucesso. Com mais de 400 estandes e a participação de líderes do setor, a Exposibram 2025 não só fortalece a imagem do Brasil como um líder mundial em mineração, mas também cria um espaço para o debate e a troca de ideias sobre os caminhos para um futuro sustentável e inovador.

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