O setor mineral brasileiro teve um desempenho impressionante no terceiro trimestre de 2025, alcançando R$ 76,2 bilhões em faturamento, o que representa um crescimento de 34% em comparação ao mesmo período de 2024, quando o faturamento foi de R$ 56,7 bilhões. A divulgação dos dados foi feita pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (21), com a participação do diretor-presidente Raul Jungmann, do vice-presidente Fernando Azevedo e do diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery.
O volume de exportações também apresentou números expressivos no setor mineral: cerca de 121 milhões de toneladas de minerais foram enviadas ao exterior, resultando em US$ 12,2 bilhões. Isso representa um aumento de 6,2% em volume e 9% em valor em relação ao terceiro trimestre de 2024. O saldo da balança comercial mineral teve um superávit de US$ 9,64 bilhões, o que equivale a 62% do superávit comercial total do Brasil no período.
Minas Gerais, Pará e Bahia dominam o faturamento
Os estados de Minas Gerais, Pará e Bahia lideraram o faturamento do setor mineral, com participações de 39%, 35% e 4%, respectivamente. O minério de ferro, que respondeu por 52% do faturamento, foi o principal destaque, com uma receita de R$ 39,8 bilhões, um aumento de 27% em relação ao mesmo período de 2024. Outros minerais como cobre e ouro também apresentaram crescimento expressivo, com aumentos de 85% (R$ 7,3 bilhões) e 58% (R$ 9,6 bilhões).
O setor mineral gerou 227.567 empregos diretos até agosto de 2025, com a criação de 6.585 novas vagas no ano, de acordo com os dados do Novo CAGED.
Comércio exterior e importações no setor mineral
No comércio exterior, o minério de ferro manteve sua liderança, mas registrou uma leve queda de 0,8% no preço. Já o ouro teve um crescimento expressivo, com aumentos de 31,8% em volume e 78,8% em valor. Houve também aumentos significativos nas exportações de manganês (106,6%), nióbio (23,5%) e cobre (14,6%). Em contrapartida, a exportação de bauxita e caulim apresentou quedas no volume.
O Brasil também importou 11 milhões de toneladas de minerais no período, totalizando US$ 2,5 bilhões, com destaque para o aumento de 130% nas compras de enxofre e 53,8% de rocha fosfática.
Impostos e projeções de investimentos para os minerais críticos
O setor mineral brasileiro registrou uma arrecadação de R$ 26,3 bilhões em tributos, com um aumento de 34,4%. A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) gerou R$ 2 bilhões, com 2.778 municípios recebendo esses recursos. Para o período de 2025 a 2029, o IBRAM projeta investimentos de US$ 68,4 bilhões, sendo US$ 18,45 bilhões destinados a minerais críticos, como parte de um esforço maior para fortalecer a produção nacional e a transição energética.
O presidente do IBRAM, Raul Jungmann, afirmou que os investimentos em minerais críticos devem crescer substancialmente nos próximos anos. Esses minerais são essenciais para a indústria global de energia limpa, e o Brasil tem grande potencial para expandir sua produção e industrialização. O novo Conselho Nacional de Política Mineral, criado pelo governo federal, será crucial para orientar essa expansão.


