Araxá, no coração de Minas Gerais, se destaca como o epicentro da produção de nióbio, abrigando a maior reserva conhecida do mineral no mundo. Sob o comando da influente família Moreira Salles, que controla o Itaú Unibanco, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) lidera a exploração de uma jazida que abastece mais de 75% da demanda global de nióbio.
Papel do nióbio na indústria global
O nióbio extraído de Araxá é convertido principalmente em ferronióbio, uma liga metálica leve e extremamente resistente. Essa liga é fundamental em diversas indústrias, sendo utilizada na construção civil, em chassis de carros e, especialmente, em turbinas de aviões, devido às suas qualidades mecânicas superiores ao aço. Em 2024, a CBMM alcançou a produção de 95 mil toneladas de ferronióbio, consolidando sua posição como principal fornecedor no mercado global.
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração teve um ano de resultados impressionantes em 2024, com um faturamento de R$ 14 bilhões, sendo R$ 5 bilhões de lucro líquido. No entanto, o impacto fiscal das operações tem sido alvo de discussões, uma vez que a empresa pagou apenas R$ 14 milhões em compensação financeira pela exploração mineral — um valor que representa menos de um milésimo de sua receita total.
Desafios e críticas ao setor mineral
Apesar do sucesso financeiro, a mineradora tem sido criticada por sua contribuição limitada ao governo federal em termos de impostos sobre os recursos naturais explorados. O volume de compensação financeira pago é visto por muitos como desproporcional ao tamanho da riqueza gerada pela exploração do nióbio, o que levanta questões sobre a distribuição dos benefícios gerados por esse mineral tão valioso.
Araxá, com sua enorme reserva de nióbio, continua a ser uma peça-chave na economia global, e a CBMM, sob o controle dos Moreira Salles, permanece como protagonista desse mercado vital, mas também como alvo de debates sobre a tributação do setor mineral.


