Na segunda-feira (6), a mineradora Vale anunciou a recompra de seus títulos perpétuos, conhecidos como debêntures participativas, emitidos pouco antes da privatização da mineradora nos anos 1990. Essa ação ocorre em um momento em que os títulos, que se tornaram cada vez mais onerosos para a companhia, estavam impactando de forma significativa a estrutura de dívida da empresa.
A mineradora informou, em fato relevante, que aprovou uma oferta para recomprar a totalidade das debêntures participativas por R$ 41,92 cada. Este valor representa um prêmio de impressionantes 52.400% sobre o valor unitário anualizado. Com cerca de 388,6 milhões de unidades em circulação, a recompra pode envolver um montante superior a R$ 16 bilhões, caso todos os detentores de papéis aceitem a proposta.
Impacto da recompra nos custos da dívida da Vale
A recompra das debêntures representa uma estratégia importante para reduzir os custos de dívida da Vale. Emitidas originalmente com valor nominal de apenas R$ 0,01, as debêntures são uma forma de financiamento que paga aos investidores uma remuneração baseada na receita líquida de parte das vendas de minério de ferro, cobre e ouro. Esse modelo de pagamento, que é vinculado ao desempenho da produção da empresa, resultou em uma taxa de retorno bastante elevada para os investidores — cerca de 13% ao ano em dólares, mais do que o dobro dos 6,1% oferecidos pelos bônus em dólar da companhia com vencimento em 2054.
A Vale mencionou, em fato relevante divulgado no mês passado, que o limite de produção na região Sudeste foi atingido no início deste ano, o que elevou ainda mais o custo desses títulos. A movimentação da empresa visa controlar esse aumento nos custos e melhorar sua gestão financeira, ao mesmo tempo em que reforça sua posição no mercado financeiro.


