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Municípios com mineração têm custo de vida até 10% mais alto, revela pesquisa

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O impacto da mineração sobre o custo de vida nas cidades brasileiras é significativo, com aumentos que chegam a 10,2% em comparação com localidades não mineradas com economias semelhantes. O estudo realizado pelo Ipead, instituto ligado à UFMG, revela que as áreas que abrigam grandes complexos mineradores enfrentam uma elevação nos preços de vários bens e serviços essenciais. A pesquisa, encomendado pela Amig (Associação dos Municípios Minerados), analisou três cidades emblemáticas: Parauapebas (PA), Mariana (MG) e Conceição do Mato Dentro (MG).

Variação de preços nas cidades mineradas

A pesquisa revelou que os setores mais impactados são habitação, vestuário, saúde e despesas pessoais, sendo que em alguns desses itens, os preços podem ser até 30% mais altos. Por exemplo, em Parauapebas, cidade no Pará onde se encontra o maior complexo minerador da Vale, os custos de vestuário são 30% mais elevados que em Belém, a capital do estado. Já as despesas pessoais, que incluem custos com empregados domésticos e serviços de hospedagem, chegam a uma diferença impressionante de 36%.

Em Mariana, a diferença nos preços se concentra principalmente no mercado imobiliário e nos gastos com serviços pessoais, com uma variação de até 27% em relação à cidade de João Monlevade, em Minas Gerais. No setor de habitação, os preços de aluguel e contas de energia elétrica subiram de forma expressiva. Da mesma forma, em Conceição do Mato Dentro, cidade do interior de Minas Gerais onde a Anglo American realiza grande parte de sua produção, o custo com artigos de residência e saúde foi significativamente mais alto que em Extrema, cidade com economia diversificada devido à sua proximidade com o estado de São Paulo.

O que explica o aumento no custo de vida por causa da mineração?

O aumento do custo de vida nas cidades mineradas está fortemente relacionado ao aumento da população local devido à chegada de trabalhadores da mineração e seus familiares, além da concentração de salários mais elevados, o que eleva o poder de compra e, consequentemente, os preços. Segundo o coordenador da pesquisa, Fabrício Missio, o salário dos empregados nas mineradoras é consideravelmente mais alto, o que faz com que a demanda por produtos e serviços essenciais cresça, pressionando os preços para cima.

Entretanto, essa alta não afeta todos os grupos de maneira igual. Enquanto trabalhadores qualificados e funcionários das mineradoras têm acesso a altos salários e benefícios, como planos de saúde e educação privada, os moradores locais e trabalhadores terceirizados, que ganham menos, são os mais impactados pelas elevações de preços. Para eles, o custo de vida pode ser um verdadeiro desafio.

Desigualdade crescente nas cidades mineradas

Outro aspecto crucial apontado pelo estudo é o agravamento das desigualdades sociais nas cidades mineradas. Embora a mineração gere riquezas, ela tende a concentrá-las em poucas mãos, o que resulta em um aumento significativo na disparidade de renda. Essa concentração de riqueza nos centros urbanos coloca uma pressão sobre os municípios, que acabam arcando com custos sociais cada vez mais elevados, enquanto os mais pobres são empurrados para as margens da cidade.

Marco Antônio Lage, presidente da Amig Brasil, alerta que sem planejamento urbano adequado e políticas de diversificação econômica, o ciclo da mineração pode aprofundar ainda mais essas desigualdades, isolando os menos favorecidos e restringindo seu acesso a bens e serviços essenciais.

A pesquisa também indicou que a demanda por serviços de saúde e educação nas cidades mineradas é mais alta que nas cidades não mineradas, devido à pressão sobre os sistemas públicos, que enfrentam uma população crescente e carente.

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