A Frente Parlamentar da Mineração Sustentável (FPMin) promoveu na quarta-feira (17) um importante debate em Brasília sobre a atualização das leis trabalhistas, com foco na inclusão de mulheres no setor de mineração subterrânea. Sob a coordenação da deputada Greyce Elias (Avante-MG), o encontro reuniu parlamentares, autoridades do governo federal e representantes do setor produtivo, com o objetivo de discutir como as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) podem impulsionar a equidade de gênero e a modernização do setor mineral.
Igualdade de gênero na mineração subterrânea
Atualmente, a CLT restringe a atuação de mulheres em atividades subterrâneas de mineração, estabelecendo um limite de idade e exigindo que os trabalhadores sejam exclusivamente homens entre 18 e 50 anos.
A deputada Greyce Elias, que coordena a Frente de Minerais Ferrosos, argumenta que essa legislação, que um dia teve um caráter protetivo, se transformou em um obstáculo discriminatório para a inclusão feminina. Para ela, é urgente modernizar a norma, garantindo que tanto homens quanto mulheres maiores de 18 anos possam atuar nessas funções, sem comprometer a segurança ou a eficiência do setor.
“A mudança não é um privilégio, mas sim uma forma de promover equidade, segurança e alinhar a mineração às novas tecnologias”, afirmou Greyce Elias. A parlamentar destacou que a legislação precisa se adaptar para refletir as transformações que já ocorrem no mercado, tanto em termos de segurança quanto de inovação tecnológica.
Impacto da diversidade de gênero no setor mineral
Embora as mulheres representem 22% da força de trabalho na mineração, elas ocupam apenas 11% dos cargos de liderança, o que evidencia a desigualdade presente no setor. Estudos apresentados no encontro demonstraram que a diversidade de gênero tem impactos positivos na inovação, produtividade e, principalmente, na segurança das operações. Países como Canadá, Austrália, Chile e África do Sul já comprovam os benefícios de um ambiente de trabalho mais inclusivo, com resultados expressivos em termos de eficiência e competitividade.
A deputada enfatizou que a presença feminina em cargos operacionais e de liderança contribui para a redução de riscos, melhora na resolução de problemas e, por consequência, aumenta a produtividade. Para ela, atrair mulheres para o setor não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma estratégia de aumento de competitividade e eficiência.


