A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (17/9), expôs um vasto esquema de fraudes em licenciamentos ambientais ligados à mineração em Minas Gerais. A operação atingiu o alto escalão do governo de Romeu Zema (Novo) e revelou envolvimento de políticos locais e até figuras de renome nacional, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Investigados de peso no governo Zema e na política de Minas
Um dos principais alvos da operação é Gilberto Henrique Horta de Carvalho, de 38 anos, que figura como o lobista político central da organização criminosa. Ele foi candidato à presidência do Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Geociências de Minas Gerais (Crea-MG) em 2023. O foco de sua campanha era combater as multas impostas aos profissionais por irregularidades em obras, algo que chamava atenção por sua proximidade com a área pública e política.
Carvalho tem relações com o vereador Uner Augusto (PL), com quem trabalhou como assessor até ser exonerado recentemente, após sete meses de atividade no Parlamento de Belo Horizonte. Suas redes sociais revelam fotos em viagens e encontros com outros membros do PL e aliados de Bolsonaro, como os vereadores Pablo Almeida (PL) e Willi (PL).
Participação de João Alberto Lages e a corrupção nos órgãos ambientais
Outro nome de destaque é o advogado e ex-deputado estadual João Alberto Lages, que também foi preso na operação. Lages é apontado como articulador político e institucional, responsável por estreitar laços entre a organização criminosa e o poder público, especialmente com Marília Carvalho, secretária de Meio Ambiente do governo Zema. O envolvimento de Lages no esquema inclui a mediação de contratos fraudulentos e a articulação de ações para beneficiar empresas de mineração com licenciamento ambiental facilitado.
Lages, que foi deputado entre 2015 e 2016, também exerceu cargos de relevância no governo Aécio Neves e na Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), o que lhe conferiu grande influência nos bastidores políticos e administrativos. Seu papel foi crucial na formação do esquema de corrupção que envolvia a alteração de atos normativos e a manipulação de decisões administrativas.
A estrutura criminosa e os impactos no meio ambiente com as fraudes na mineração
A Operação Rejeito revelou uma organização criminosa estruturada, com envolvimento de diversos agentes públicos e privados, que atuavam em conluio para garantir a legalização de atividades mineradoras por meio de fraudes nos licenciamentos ambientais. Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia a constituição de empresas de fachada, manipulação de atos administrativos fraudulentos, e o pagamento de propinas para garantir a continuidade de projetos minerários.
Os investigados também são acusados de corromper servidores públicos e de articular mudanças nas normas ambientais, facilitando a aprovação de licenças de mineração e favorecendo interesses privados em detrimento da proteção ambiental. A operação aponta que as ações criminosas afetaram diretamente a gestão dos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento, como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad) e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O despacho judicial da operação, datado de 11 de setembro, já determinou que o governo de Minas, a Semad e a ALMG sejam formalmente informados sobre os avanços da investigação.


