A única mina de potássio em operação no Brasil pode ganhar novo fôlego nos próximos meses. O Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) anunciou interesse em propor uma parceria estratégica voltada à expansão dos recursos da mina de Taquari-Vassouras, localizada em Rosário do Catete, no estado de Sergipe. A iniciativa, no entanto, depende da conclusão da venda da unidade pela atual operadora, a Mosaic Fertilizantes, para a empresa VL Mineração Ltda., que pertence ao grupo AgroGalaxy, um dos maiores do agronegócio brasileiro.
O negócio, anunciado em agosto, está avaliado em até US$ 27 milhões e inclui pagamentos escalonados, além da transferência de obrigações ambientais. A expectativa é que a transação seja concluída até o final de 2025, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e outras instâncias regulatórias.
Venda da mina de potássio deve reabrir caminho para investimentos e reestruturação da produção nacional
Segundo os termos divulgados, a VL Mineração deverá assumir a unidade da mina de potássio mediante pagamento de US$ 12 milhões na assinatura, US$ 10 milhões em 12 meses, além de US$ 5 milhões parcelados em até seis anos. A compradora também ficará responsável por aproximadamente US$ 22 milhões em obrigações de encerramento e reabilitação ambiental. Com a venda, a Mosaic estima registrar uma perda contábil entre US$ 50 milhões e US$ 70 milhões.
A operação da mina está em estágio de exaustão, mas ainda é considerada estratégica, tanto pela localização quanto pelo seu potencial remanescente. Apenas em 2024, a unidade produziu cerca de 398 mil toneladas de cloreto de potássio, produto essencial para a fabricação de fertilizantes utilizados em larga escala na agricultura brasileira.
SGB busca garantir autossuficiência e expansão da produção nacional de potássio
Com a venda encaminhada, o SGB já se prepara para apresentar uma proposta de cooperação à futura controladora da mina de potássio, com foco na ampliação das reservas exploráveis da unidade. A ideia é usar a expertise técnica da estatal para realizar novos estudos geológicos e viabilizar a continuidade da produção em Taquari-Vassouras, além de apoiar eventuais expansões futuras.
O Brasil importa cerca de 96% do potássio que consome, segundo dados do setor. A reestruturação da mina em Sergipe é vista como um passo importante para alterar esse cenário e garantir maior soberania na cadeia de fertilizantes.
Mina com quatro décadas de operação e histórico estratégico para o país
A mina de Taquari-Vassouras foi implantada na década de 1980 pela estatal Petromisa, subsidiária da Petrobras. Posteriormente, passou a ser operada pela Vale e, desde 2018, está sob o controle da Mosaic Fertilizantes. Foi a primeira mina de potássio subterrânea do país e ainda hoje é a única em atividade comercial.
Apesar de operar em capacidade reduzida nos últimos anos, a mina de potássio continua sendo estratégica por estar situada em solo brasileiro, em uma região com infraestrutura instalada e tradição em mineração.
A venda para a VL Mineração pode marcar o início de um novo ciclo, especialmente com a possível entrada do SGB como parceiro técnico. O objetivo central é reverter a curva de exaustão e garantir vida útil mais longa para a mina — ou até mesmo novas frentes de extração.
Futuro do potássio brasileiro pode passar por Sergipe
A movimentação em torno de Taquari-Vassouras acontece em um momento em que o país busca alternativas para reduzir sua dependência externa em insumos agrícolas. Com a instabilidade de mercados internacionais e o aumento dos custos logísticos, a produção nacional ganha ainda mais importância estratégica.
Para o SGB, a colaboração com a VL Mineração pode abrir espaço para novos investimentos, atualização tecnológica e fortalecimento da cadeia de suprimento. Já para os produtores rurais e o agronegócio nacional, a iniciativa representa uma oportunidade de acesso a fertilizantes com menor dependência do mercado externo.
A expectativa é que os próximos meses sejam decisivos para o futuro da única mina de potássio do país — e, por consequência, para o fortalecimento da soberania agrícola brasileira.


