Um dos maiores diamantes já encontrados em solo brasileiro — com impressionantes 646,78 quilates — está no centro de uma apuração da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades envolvendo a origem da pedra. O diamante, com mais de 129 gramas, foi apresentada pela empresa Diadel Mineração e seria supostamente proveniente de Coromandel, cidade conhecida pela atividade garimpeira no estado de Minas Gerais.
No entanto, a investigação aponta indícios de que o diamante pode ter sido extraído, na verdade, em Araguari, município localizado a cerca de 154 quilômetros de distância do local originalmente declarado. Essa possível divergência no ponto de origem levantou suspeitas de desvio de rota e irregularidades na cadeia de custódia do bem mineral.
Empresa recua e cancela certificação para exportação do diamante
A situação se agravou quando a própria Diadel Mineração, responsável pela apresentação da pedra, deu início ao processo para obtenção do Certificado do Processo de Kimberley (CPK) — documento indispensável para exportação legal de diamantes brutos. O processo de certificação estava em curso, mas no dia em que a análise final ocorreria, a empresa solicitou o cancelamento inesperado do pedido, o que causou estranhamento entre profissionais do setor de gemas preciosas.
O CPK é uma exigência internacional voltada ao combate do comércio ilegal de diamantes, especialmente aqueles associados a zonas de conflito. O recuo da empresa no procedimento formal gerou questionamentos sobre a transparência da operação e contribuiu para o aprofundamento da investigação federal.


