A Usiminas já contabiliza os efeitos negativos da crescente onda de importações de aço que tem invadido o mercado brasileiro. Embora ainda não tenha anunciado desligamentos, a companhia admite que, caso o atual cenário persista, há risco real de demissões, como consequência direta do desequilíbrio provocado pela entrada massiva do material estrangeiro.
A sinalização foi feita pelo vice-presidente comercial da empresa, Miguel Homes, durante o Congresso Aço Brasil, evento que aconteceu na última semana em São Paulo. De acordo com ele, a alta dos desembarques tem gerado um ambiente hostil para a indústria nacional, criando dificuldades não apenas de competitividade, mas também de estabilidade para o setor como um todo.
Importações crescem e criam sobreoferta que distorce o mercado para a Usiminas
Além da pressão nos custos operacionais, a Usiminas enfrenta outro obstáculo: a queda nos preços internos do aço, resultado direto de uma oferta inflada artificialmente por produtos importados, muitos deles comercializados por agentes com atuação especulativa. Esse movimento tem elevado os estoques e causado uma forte dispersão nos valores praticados, o que prejudica negociações e o planejamento estratégico das siderúrgicas.
A empresa reforça que a continuidade desse cenário pode comprometer ainda mais a sustentabilidade do setor, que já opera com margens apertadas e grande instabilidade nas relações comerciais. Por isso, o alerta vem com tom de urgência: se nada mudar, a redução no quadro de funcionários pode ser inevitável.


