A cidade de Congonhas, no coração do Quadrilátero Ferrífero, vive dias de tensão. O futuro da mineração no município, onde está localizada a Mina Casa de Pedra, operada pela CSN Mineração, está em xeque. A possibilidade de uma paralisação parcial ou total das atividades acendeu o alerta entre moradores, trabalhadores e autoridades. Estão em risco cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativas do setor.
Projetos travados e liminares suspensas aumentam pressão sobre a CSN
O impasse ganhou força nas últimas semanas, com o atraso no licenciamento ambiental de dois projetos considerados essenciais pela empresa e pelo governo estadual: a ampliação da pilha de estéril do Batateiro e a abertura de uma nova lavra na Serra do Esmeril. Sem essas estruturas, a manutenção da produção na Casa de Pedra se torna inviável.
O cenário é agravado por decisões judiciais que suspenderam liminares relacionadas a desapropriações em áreas rurais afetadas pelos projetos, especialmente na comunidade de Santa Quitéria. As medidas, agora sob análise da Justiça Federal, surgem após manifestações do Ministério Público Federal (MPF) e de entidades civis que cobram mais diálogo e garantias ambientais.
Economia de Congonhas depende da mineração, mas moradores cobram mudanças
A mineração é a principal engrenagem da economia de Congonhas, sustentando entre 6 mil e 8 mil postos de trabalho ao longo dos últimos anos, segundo dados públicos e balanços da própria CSN. Além disso, a atividade mineral responde por uma parcela expressiva da arrecadação municipal, o que torna o risco de paralisação ainda mais preocupante para o poder público e a população.
Mesmo diante da ameaça, o prefeito Anderson Cabido tem defendido a necessidade de reduzir a dependência econômica do setor mineral e diversificar as fontes de receita do município, apostando em setores como turismo, cultura e novos investimentos privados.
Mineração em MG lidera o país, mas enfrenta dilemas de expansão
O caso de Congonhas reflete um paradoxo que se repete em várias regiões mineradoras de Minas Gerais. O estado continua sendo o líder nacional em faturamento mineral, com R$ 108,3 bilhões registrados apenas em 2024, conforme dados do IBRAM e da Agência Brasil. O minério de ferro, carro-chefe da produção, é responsável pela maior parte dessa receita.
No entanto, a pressão por crescimento econômico esbarra cada vez mais em exigências por transparência, responsabilidade socioambiental e participação popular. Em Congonhas, o futuro da mineração está em jogo — e com ele, o sustento de milhares de famílias.


