Desde o final de julho, cerca de 100 indígenas dos povos Pankararu e Pataxó ocupam pacificamente os 560 hectares da Fazenda Cristal, localizada às margens do rio Jequitinhonha, com um objetivo de evitar que a terra, rica em lítio, vizinha à Terra Indígena Cinta Vermelha Jundiba, seja vendida para as mineradoras Sigma Lithium e Atlas Lithium. A ação é um protesto contra a crescente ameaça da mineração na região e a omissão do Estado em garantir os direitos territoriais das comunidades indígenas.
A luta pela terra e os desafios impostos pelo lítio
A ocupação é a mais recente etapa de uma batalha que dura mais de uma década. Desde 2005, os povos Pankararu e Pataxó lutam para expandir suas terras, tendo adquirido inicialmente 68 hectares via crédito fundiário. Contudo, essa área tem se mostrado insuficiente para as necessidades culturais e produtivas da comunidade, especialmente em um contexto de pressão crescente pela expansão de monocultivos de eucalipto e, mais recentemente, pela mineração de lítio.
O avanço das mineradoras na região, com o foco no lítio, trouxe ainda mais insegurança para as famílias indígenas, que denunciam não apenas a ameaça iminente de perda de território, mas também o racismo ambiental e a ilegalidade nos processos de licenciamento.
A corrida pelo lítio no Vale do Jequitinhonha, essencial para a produção de baterias de veículos elétricos, tem sido alvo de críticas de ambientalistas e comunidades tradicionais, que veem no modelo de exploração uma ameaça às suas terras e modos de vida.


