O Brasil reforça a sua posição como potência mundial na produção de minerais críticos e estratégicos (MCEs), insumos essenciais para tecnologias limpas, baterias e energias renováveis. O aumento da procura global, impulsionado pela transição energética, tem colocado o país no centro das atenções de economias como os Estados Unidos, que buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências geopolíticas.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o país já produz mais de 35 milhões de toneladas desses minerais críticos por ano, o que o coloca entre os maiores produtores mundiais e amplia as perspectivas para novos investimentos e acordos comerciais.
Em entrevista exclusiva ao Cidades & Minerais, representantes do IBRAM analisaram o cenário atual e destacaram desafios e oportunidades para que o Brasil assuma papel de liderança na cadeia global de fornecimento.
“Brasil tem reservas significativas de minerais críticos, mas precisa transformar potencial em realidade”

Ao avaliar o posicionamento do Brasil no mercado de minerais críticos, o IBRAM destacou que “o país figura entre os principais produtores de minerais essenciais para a transição energética”. No entanto, o Instituto ressalta que é necessário avançar para transformar reservas em oportunidades concretas de exportação.
Segundo a entidade, isso depende de políticas públicas robustas e integradas: “É preciso estimular a expansão sustentável das cadeias produtivas e resolver gargalos como falta de crédito adequado ao risco, excesso de burocracia e tributos”
Interesse dos Estados Unidos e diversificação de mercados

O interesse norte-americano nos minerais críticos, ou as chamadas terras raras, tem ganhado destaque após declarações do encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar. Para o IBRAM, parcerias com outras nações são bem-vindas, desde que respeitem princípios de previsibilidade e diálogo.
“O setor mineral brasileiro é parceiro global em uma economia justa e aberta”, afirmou o Instituto, acrescentando que há espaço para diversificação: “Os países querem diversificar fontes de suprimentos em vários produtos, inclusive minérios”.
Sustentabilidade e combate ao garimpo ilegal
Questionado sobre o impacto ambiental da exploração mineral, o IBRAM afirmou que o setor segue normas rigorosas e investe em boas práticas ESG (Ambiental, Social e Governança) desde 2019. “Aumentar a produção pode causar impacto, mas não representa uma ameaça ambiental porque há leis a serem seguidas e fiscalização”, reforçou a entidade.
O Instituto diferencia a mineração legal do garimpo ilegal, que considera o verdadeiro risco para o meio ambiente e para as comunidades locais.
Inovação e novos caminhos para o setor
A procura global por minerais críticos também tem impulsionado inovação tecnológica no setor. O Mining Hub, em Belo Horizonte, é citado como exemplo de espaço colaborativo entre mineradoras, startups e pesquisadores para desenvolver soluções avançadas para desafios da indústria.
Com esse cenário, o Brasil reúne condições para ampliar sua influência no mercado internacional e assumir papel central na nova economia verde.


