O Brasil vive um ponto de virada no setor mineral com o crescimento da demanda internacional por lítio, elemento essencial para a transição energética e a mobilidade elétrica. No entanto, mesmo com potencial geológico e avanço na exploração, o país ainda ocupa posição modesta no cenário mundial, detendo apenas 1,3% das reservas conhecidas do mineral.
A avaliação é de Marcos André Gonçalves, presidente do Conselho Superior da ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro), que participou de painel no evento Lithium Business. Para ele, o momento é estratégico. “Mesmo com a queda recente nos preços e um cenário de oferta elevada, o papel do lítio na eletromobilidade e nas baterias estacionárias segue sendo central”, afirmou.
Brasil produz 4,2 do lítio global mas precisa remover barreiras
Atualmente, o Brasil já representa 4,2% da produção mundial de lítio, segundo dados setoriais, ocupando o sexto lugar no ranking global. A expectativa é de crescimento, principalmente com a alta projetada pela Agência Internacional de Energia (IEA), que estima um consumo global de 220 milhões de toneladas de lítio em 2024, o que representa uma alta de 29% em relação ao ano anterior.
Entretanto, o país ainda enfrenta dificuldades estruturais, gargalos logísticos e entraves regulatórios que limitam sua competitividade frente aos grandes players do setor. Austrália, Chile e China continuam liderando o mercado, somando 74% da produção global.
Para especialistas, o Brasil precisa acelerar investimentos em infraestrutura, garantir segurança jurídica para investidores e aprimorar políticas públicas que impulsionem a cadeia do lítio de forma sustentável e integrada.


