Apesar da intensa expansão da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha, a rede pública de saúde da região permanece sobrecarregada e sem estrutura compatível com o crescimento populacional. O Hospital São Vicente de Paulo, em Araçuaí, principal referência para ao menos sete municípios vizinhos, precisa atender mais de 125 mil moradores com apenas 83 leitos disponíveis.
Demanda cresce com mineração, mas estrutura do Vale do Jequitinhonha não acompanha
Com a chegada de cerca de 2 mil novos moradores desde 2019 — impulsionados por vagas na mineração — o volume de atendimentos no hospital aumentou cerca de 30%. O pronto-socorro da unidade vive em constante superlotação, com filas que ultrapassam 50 pessoas em busca de consultas, muitas delas com sintomas leves, mas sem alternativas de atendimento primário.
Além de Araçuaí, o hospital também acolhe pacientes de Coronel Murta, Virgem da Lapa, Itinga, Berilo, Jenipapo de Minas e Francisco Badaró. Ainda sem uma UTI em funcionamento, casos graves precisam ser transferidos para Diamantina, numa viagem de ambulância que pode durar mais de três horas.
Baixo repasse público e poucas contrapartidas das mineradoras
Apesar do impacto direto da mineração na região do Vale do Jequitinhonha, o apoio financeiro das empresas ainda é limitado. Apenas a Companhia Brasileira de Lítio (CBL) mantém um convênio fixo de R$ 63,5 mil mensais com o hospital. A Sigma Lithium, uma das principais operadoras locais, realizou apenas uma doação de R$ 100 mil no final de 2023.
Do lado do poder público, a situação também é crítica. A Prefeitura de Araçuaí deveria repassar R$ 500 mil mensais, mas atualmente envia apenas R$ 120 mil, parte em dinheiro, parte com a cessão de dois médicos. Já o Governo de Minas informou que repassou R$ 1,5 milhão ao hospital em 2024 e mantém um centro estadual especializado com orçamento anual de R$ 1,4 milhão para atender a microrregião.


