Minas Gerais exportou, somente em 2024, 327,6 mil toneladas de lítio, matéria-prima estratégica na transição energética global. Segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), 99% desse volume teve como destino a China, principal consumidor mundial do insumo. Uma pequena fração, 0,2%, foi enviada aos Estados Unidos, atendendo a empresas como a gigante chinesa BYD, referência mundial em veículos elétricos.
Fábrica de R$ 25 bilhões foi perdida para a Bahia
Apesar do potencial, o lítio mineiro continua deixando o Estado praticamente in natura, sem gerar valor agregado por meio da industrialização. Um dos capítulos mais emblemáticos dessa dificuldade foi o recuo da empresa Bravo Motor, que cancelou um investimento de R$ 25 bilhões para instalação de uma fábrica de baterias em Nova Lima. Após três anos de tratativas, o projeto foi transferido para a Bahia, frustrando a expectativa de verticalização do setor em território mineiro.
De acordo com o Invest Minas, outras empresas ainda avaliam instalar unidades de transformação no Estado, mas nenhum empreendimento está formalmente em curso.
Produção química ainda é exceção no Vale do Jequitinhonha
Com investimentos já somando R$ 6,3 bilhões na extração mineral, a cadeia do lítio em Minas ainda é fortemente dependente do extrativismo. Uma exceção nesse cenário é a atuação da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), no Vale do Jequitinhonha, que desde os anos 1990 opera não só a mineração como também a única planta química do Brasil para beneficiamento do minério.
Na unidade localizada em Divisa Alegre, o concentrado de espodumênio é transformado em carbonato de lítio, hidróxido de lítio mono-hidratado e carbonato grau bateria – insumos essenciais para a indústria de baterias elétricas.
Especialistas apontam que a verticalização do setor poderia gerar empregos mais qualificados, maior retorno financeiro para os municípios mineradores e uma inserção mais estratégica do Brasil no mercado internacional de energia limpa. No entanto, o avanço da cadeia produtiva do lítio em Minas depende de uma política industrial robusta, infraestrutura adequada e ambiente regulatório estável – pontos ainda frágeis no cenário atual.


