Terras raras podem ameaçar turismo em Poços de Caldas, aponta coletivo da cultura

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A exploração de terras raras em Poços de Caldas ganhou um novo ponto de tensão: os possíveis impactos da atividade mineral sobre o turismo, o patrimônio e a economia que se desenvolveu em torno das características naturais e culturais do município.

Artistas e produtores culturais da cidade intensificaram a mobilização contra os possíveis efeitos do Projeto Colossus, da empresa estrangeira Viridis Mining & Minerals. Para o coletivo Círculo de Cultura, a discussão não deve se limitar aos benefícios econômicos que a mineração pode gerar, mas também considerar o que pode estar em risco caso a atividade afete os principais atrativos de Poços de Caldas.

Entre os pontos levantados estão as águas termais, territórios tradicionais e a cadeia de turismo e serviços, que, segundo os organizadores da mobilização, reúne cerca de 35 mil empregos formais.

Terras raras entram no debate sobre turismo e patrimônio

A preocupação apresentada pelo coletivo está diretamente relacionada à identidade econômica e turística de Poços de Caldas. Conhecida nacionalmente pelas águas termais e por sua tradição turística, a cidade possui uma economia na qual hotéis, restaurantes, comércio, serviços, eventos e atividades culturais estão conectados ao fluxo de visitantes.

É nesse contexto que os representantes do Círculo de Cultura questionam os possíveis efeitos de uma atividade minerária classificada como de alto potencial poluidor sobre os recursos naturais e culturais do município.

Um dos principais argumentos apresentados é que as águas termais não representam apenas um recurso ambiental. Elas fazem parte da própria história de Poços de Caldas e estão associadas à imagem turística construída pela cidade ao longo de décadas.

O coletivo também chama atenção para os territórios tradicionais de Congos e Caiapós, considerados parte do patrimônio cultural local. Na avaliação apresentada pelos organizadores, eventuais impactos sobre esses espaços poderiam ultrapassar a questão ambiental e atingir manifestações culturais, atividades econômicas e elementos que compõem a identidade do município.

Outro ponto levantado envolve a arrecadação que a mineração poderia proporcionar. Os representantes do movimento afirmam que a receita esperada com a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) seria inferior aos possíveis custos decorrentes de uma eventual perda de atividade turística, considerando despesas com infraestrutura, saúde e desemprego.

A comparação coloca em discussão um aspecto central do projeto: quanto a cidade poderia ganhar com a mineração e, ao mesmo tempo, quanto poderia estar exposta a perder em outros setores da economia.

Debate coloca modelo econômico de Poços de Caldas em xeque

A mobilização ganhou espaço justamente porque o Projeto Colossus não está sendo analisado apenas como um empreendimento mineral. Para os grupos que questionam seu avanço, é necessário avaliar como a atividade poderá coexistir com uma economia construída sobre turismo, serviços, patrimônio histórico e recursos naturais.

O Círculo de Cultura levou suas preocupações ao Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), onde protocolou um documento em 15 de setembro. O grupo também afirma ter procurado o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC) e a Secretaria Municipal de Cultura (SECULT), cobrando que o tema seja discutido pelos órgãos.

A preocupação também chegou à esfera ambiental. O coletivo protocolou um documento técnico de 30 páginas na Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e encaminhou uma carta à Comitiva Interministerial do Governo Federal, defendendo a suspensão do licenciamento e a realização de consultas públicas.

O embate, portanto, vai além da instalação de uma nova atividade econômica. De um lado está o potencial associado à exploração de minerais considerados estratégicos para a indústria e para a transição tecnológica. Do outro, estão os questionamentos sobre os efeitos que essa atividade poderá produzir em uma cidade cuja economia e identidade estão fortemente associadas às águas termais, ao turismo e ao patrimônio cultural.

O avanço do Projeto Colossus deverá manter esse debate no centro das discussões de Poços de Caldas, especialmente à medida que novas etapas do empreendimento forem analisadas pelos órgãos responsáveis.

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