sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Cidades e Minerais
Cidades & Mineradoras

MP pede auditoria sobre terras raras no Sul de Minas após alerta de perigos ambientais

MPTCU pede ao TCU auditoria sobre projetos de terras raras no Planalto de Poços de Caldas e aponta necessidade de avaliar riscos ambientais e CFEM

Por Raquel Luciano21 de setembro de 2026 · 17:33Leitura de 2 min
MPTCU pede ao TCU auditoria sobre projetos de terras raras no Planalto de Poços de Caldas e aponta necessidade de avaliar riscos ambientais e CFEM
Imagem: Divulgação – MPTCU pede ao TCU auditoria sobre projetos de terras raras no Planalto de Poços de Caldas e aponta necessidade de avaliar riscos ambientais e CFEM

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu que o TCU abra um processo de fiscalização e realize uma auditoria operacional sobre os projetos de exploração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. A representação foi apresentada pelo subprocurador-geral do MPTCU, Lucas Rocha Furtado.

A solicitação envolve empreendimentos ainda em fase de desenvolvimento e captação de recursos na região, incluindo projetos da Viridis Mining & Minerals, em Poços de Caldas, e da Meteoric Resources, em Caldas. O pedido de fiscalização foi motivado por um relatório de 60 páginas produzido após uma visita interministerial realizada em junho.

Segundo a representação, a auditoria deverá verificar a suficiência dos mecanismos utilizados para evitar possíveis impactos cumulativos sobre recursos hídricos, solo, biodiversidade e saúde pública. O documento também levanta a necessidade de acompanhar a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Terras raras entram no radar do TCU

O relatório que motivou a representação foi elaborado por uma comitiva interministerial coordenada pela Secretaria-Geral da Presidência da República. Durante a agenda realizada em junho, representantes do governo ouviram moradores, movimentos sociais, empresas, prefeituras, vereadores e instituições de ensino da região.

A partir desse material, o MPTCU solicitou que o TCU examine os procedimentos adotados por órgãos federais envolvidos na autorização, fiscalização e licenciamento dos projetos. Entre eles estão a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

A preocupação apresentada na representação está relacionada à possibilidade de impactos ambientais que, caso se concretizem e demandem medidas de recuperação ou reparação, poderiam gerar custos elevados ao poder público.

Fiscalização também envolve a CFEM

Além das questões ambientais, a representação chama atenção para a necessidade de fiscalização sobre a arrecadação da CFEM relacionada às atividades minerais na região.

A compensação é paga pelas empresas que exploram recursos minerais e distribuída entre União, estados e municípios conforme as regras estabelecidas para o setor.

O pedido do MPTCU ainda depende da análise do Tribunal de Contas da União. A eventual auditoria poderá avaliar os mecanismos de controle adotados pelos órgãos federais e a forma como os processos de autorização, licenciamento e acompanhamento dos empreendimentos estão sendo conduzidos.

A movimentação ocorre enquanto os projetos de terras raras do Sul de Minas avançam em uma região que passou a concentrar atenção do setor mineral devido ao potencial desses elementos para aplicações industriais e tecnológicas.