sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Vale aposta na Índia como novo motor da demanda global por minério de ferro

Crescimento da demanda da Índia por minério de ferro reforça as perspectivas da Vale para o mercado global e destaca o potencial do produto brasileiro de alto teor

Por Isis Kelem de Oliveira10 de junho de 2026 · 07:53Leitura de 3 min
Crescimento da demanda da Índia por minério de ferro reforça as perspectivas da Vale para o mercado global e destaca o potencial do produto brasileiro de alto teor
Foto: Divulgação – Crescimento da demanda da Índia por minério de ferro reforça as perspectivas da Vale para o mercado global e destaca o potencial do produto brasileiro de alto teor

A Vale vê a Índia como uma das principais protagonistas do futuro mercado global de minério de ferro. A avaliação foi apresentada pelo vice-presidente executivo técnico da companhia, Rafael Bittar, durante o Mining Innovation Summit 2026, realizado em Belo Horizonte, ao destacar que o país asiático deverá se consolidar como um dos maiores consumidores da commodity nos próximos anos.

Segundo o executivo, a demanda chinesa continuará robusta, enquanto mercados como Estados Unidos, México e, principalmente, Índia devem ampliar significativamente o consumo do minério brasileiro. Apesar do crescente interesse global pelos minerais críticos e estratégicos, a Vale reforça que mantém o foco em seus principais negócios: minério de ferro, cobre e níquel.

“Acreditamos que o minério de ferro, que está meio esquecido, continua sendo muito estratégico”, afirmou Bittar durante o painel “A estratégia de capital e as decisões de investimento na mineração”.

O debate reuniu ainda a CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches, o cientista político, economista e diplomata Marcos Troyjo e o analista internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna.

Índia impulsiona exportações brasileiras

Os números já indicam o fortalecimento da relação comercial entre Brasil e Índia. Dados do governo federal mostram que as exportações brasileiras de minério de ferro para o país asiático alcançaram US$ 441,9 milhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1997 pela plataforma Comex Stat.

Minas Gerais também acompanhou esse movimento. Os embarques do Estado para a Índia totalizaram US$ 82,9 milhões no ano passado, registrando o terceiro melhor resultado da história.

O crescimento também aparece nos resultados da própria Vale. Embora a companhia não detalhe as vendas por país, a receita líquida obtida com minério de ferro na Ásia — excluindo China e Japão — atingiu US$ 2,5 bilhões em 2025, representando avanço de 20,8% em relação ao ano anterior.

Na avaliação da mineradora, o avanço da industrialização em países emergentes e o processo global de descarbonização devem ampliar a demanda por minérios de maior qualidade, cenário que favorece o produto brasileiro de alto teor.

Parceria fortalece presença da Vale na Índia

O relacionamento entre a Vale e o mercado indiano ganhou um novo capítulo em fevereiro deste ano. A companhia assinou um memorando de entendimento com a NMDC e a Adani Gangavaram Port para estudar a implantação de uma instalação voltada à blendagem e comercialização de finos de minério de ferro no Porto de Gangavaram.

Pelo acordo, a Vale fornecerá minério de alto teor, enquanto a NMDC contribuirá com minério de menor teor. Já a Adani ficará responsável pela infraestrutura logística, operações portuárias e gestão do processo de mistura dos materiais.

A iniciativa busca fortalecer a cadeia de valor do minério de ferro na costa leste da Índia e ampliar a competitividade do produto no mercado asiático.

Setor aponta entraves para novos investimentos no Brasil

Ao abordar os desafios para o desenvolvimento da mineração no Brasil, Rafael Bittar afirmou que o principal obstáculo não está na disponibilidade de capital.

Segundo ele, o país segue atraindo investimentos internacionais, mas enfrenta dificuldades relacionadas ao ambiente regulatório, tributário e jurídico, fatores que podem gerar insegurança para investidores.

O executivo também citou entraves operacionais, como a escassez de mão de obra qualificada, os altos juros que impactam as construtoras e a dificuldade de acesso a equipamentos para implantação de novos projetos.

A CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches, compartilhou avaliação semelhante. Para ela, a falta de previsibilidade ainda representa um dos maiores desafios para o setor mineral brasileiro.

A executiva destacou especialmente a demora nos processos de licenciamento ambiental e as incertezas jurídicas associadas às diferentes etapas de aprovação dos empreendimentos, fatores que podem impactar o ritmo de expansão da mineração no país.