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Responsável por cerca de 1/3 da mineração do país, MG enfrenta protestos de ambientalistas e incerteza na exploração

Embora a mineração tenha sido historicamente um pilar da economia mineira, seu papel não vem sem debate e controvérsia.

Imagem: Pixabay - Responsável por cerca de 1/3 da mineração do país, MG enfrenta protestos de ambientalistas e incerteza na exploração

 

Minas Gerais é indiscutivelmente uma referência nacional no setor de mineração. Sua contribuição para a produção do país é impressionante, representando cerca de um terço do que é produzindo no Brasil, com destaque especial para a extração de nióbio, contribuindo com 75% do total nacional.

Esse domínio coloca Minas Gerais no centro das discussões sobre desenvolvimento sustentável e inovação tecnológica na indústria da mineração.

Minas Gerais e o poder da mineração

Segundo dados da Associação Nacional de Mineração (ANM), em 2022, Minas Gerais registrou um valor de produção mineral bruta de R$ 3,16 bilhões, superando o Pará, que alcançou R$ 3 bilhões.

Apesar da importância econômica da mineração, ocupando cerca de 9% do PIB do estado, é crucial ressaltar que essa atividade utiliza apenas 0,11% da área territorial de Minas Gerais, um estado de dimensões comparáveis às da França. O lítio, em particular, desponta como um elemento-chave para a transformação econômica, especialmente nas regiões mais carentes, como o Vale do Jequitinhonha.

A exploração de novas fronteiras mineradoras, como o lítio, está redefinindo o panorama econômico do estado. Em 2013, o lítio mal figurava entre as 20 substâncias que mais geravam receita para Minas Gerais.

Porém, com a expansão dessa exploração, especialmente nas regiões do Mucuri e Vale do Jequitinhonha, o estado arrecadou impressionantes R$ 55 milhões em 2023 com o lítio, colocando-o em terceiro lugar no ranking de arrecadação, atrás apenas do ferro e do ouro.

O impacto desses investimentos se reflete na dinâmica econômica das regiões envolvidas. Em 2023, foram criadas 1.907 empresas na região do Mucuri e Vale do Jequitinhonha, evidenciando o potencial de crescimento econômico associado à exploração mineral. Investimentos em infraestrutura logística visam potencializar ainda mais essa expansão, seguindo o exemplo do Pará.

Diante desse cenário, Minas Gerais encara o desafio de valorizar seu capital humano e aprimorar sua capacidade produtiva, almejando se firmar como um polo atrativo para investimentos de grande porte no setor mineral. O estado se posiciona como um protagonista na busca por uma mineração sustentável e inovadora, capaz de conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental e inclusão social.

Minas Gerais: O epicentro da mineração nacional em busca de sustentabilidade e inovação

Embora a mineração tenha sido historicamente um pilar da economia brasileira, seu papel não vem sem debate e controvérsia. Apesar dos benefícios econômicos e do potencial de desenvolvimento que a atividade proporciona, ela também enfrenta uma crescente oposição por parte de grupos ambientalistas e da sociedade civil.

Um exemplo recente é a polêmica em torno da exploração de áreas sensíveis, como a Serra do Curral, um marco emblemático e um verdadeiro cartão-postal da cidade de Belo Horizonte.

A Serra do Curral, com sua beleza natural e importância histórica, tornou-se um símbolo de resistência contra a expansão indiscriminada da mineração. Movimentos antimineração têm se mobilizado, expressando preocupações sobre os possíveis danos ambientais irreversíveis e a perda de patrimônio cultural que a atividade mineradora poderia acarretar na região.

Os trágicos eventos de Mariana e Brumadinho deixaram marcas profundas na população e no meio ambiente, servindo como catalisadores para uma discussão essencial de longo prazo. Em resposta a esses desastres, a Vale, uma das principais empresas do setor, tem buscado medidas inovadoras para mitigar os impactos ambientais da mineração.

Recentemente, em janeiro deste ano, a Vale divulgou dados sobre a implementação da técnica de produção a seco. Segundo informações fornecidas pela própria empresa, essa técnica resulta em uma redução de até 93% no consumo total de água.

Além dos benefícios ambientais evidentes, a produção a seco também oferece vantagens econômicas substanciais. Esse equilíbrio entre sustentabilidade e eficiência econômica representa um passo significativo na direção de uma mineração mais responsável e consciente.

No entanto, é importante ressaltar que os desafios enfrentados pelo setor de mineração não se limitam apenas à implementação de novas tecnologias. Questões como segurança, gestão de resíduos e impactos sociais continuam sendo áreas de preocupação e devem ser abordadas de forma abrangente e colaborativa.

A busca por soluções sustentáveis exige um compromisso contínuo com a inovação, a transparência e o diálogo aberto com todas as partes interessadas, visando garantir um futuro mais seguro e sustentável para as comunidades e o meio ambiente afetados pela mineração.

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