Ouro ilegal deixa rastros mesmo após ser misturado; PF revela como identifica a origem na Exposibram 2026

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Mesmo depois de passar por processos de fundição e ser combinado com ouro de outras procedências, o material de origem ilegal pode continuar apresentando características capazes de levantar suspeitas. O assunto foi discutido nesta quinta-feira (27), durante a Exposibram 2026, no Talk Show 6, que abordou os mecanismos de controle da comercialização de ouro no Brasil.

Gustavo Caminoto Geiser, gerente do Programa Ouro Alvo da Polícia Federal, explicou como a corporação trabalha para confrontar as informações declaradas sobre uma barra de ouro com os sinais encontrados no próprio material. A estratégia, segundo ele, não depende de uma única evidência, mas da combinação entre análises e documentação.

Ouro ilegal pode manter sinais mesmo depois da fusão

Questionado sobre a possibilidade de um ouro de origem ilegal ser fundido com uma pepita proveniente de outra área e, com isso, dificultar a identificação da procedência, Geiser afirmou que a mistura também deixa características que podem ser analisadas.

“Quando a gente está discutindo primeiro essa questão aí da responsabilidade documental, de ter uma cadeia de histórias que nos diz exatamente o que é para ter naquela barra, e aí eu faço um confronto, o resultado desse confronto tem que ser compatível com aquela história.”

A lógica apresentada pelo representante da Polícia Federal é baseada no cruzamento de informações. A documentação precisa contar uma trajetória coerente para aquele ouro, enquanto os resultados das análises devem ser compatíveis com a procedência informada.

Segundo Geiser, a perícia não precisa necessariamente reconstruir cada etapa da história do material para apontar uma inconsistência. O objetivo é verificar se aquilo que está sendo apresentado oficialmente encontra correspondência nas evidências analisadas.

Cadeia de custódia vira peça central no controle do ouro

Durante a apresentação, o representante da Polícia Federal também ressaltou a importância da documentação que acompanha o ouro ao longo da cadeia comercial. A chamada cadeia de custódia documental serve como uma das principais bases para confrontar a origem declarada com os resultados das perícias.

O trabalho também considera materiais associados ao processo de formação do ouro. Geiser citou o mercúrio como um elemento que pode deixar sinais relevantes para as investigações, mesmo diante de processos como fusão e evaporação.

A discussão realizada na Exposibram 2026 mostra como o combate à comercialização irregular de ouro depende de diferentes frentes de investigação. Além das informações apresentadas nos documentos, características químicas e minerais podem contribuir para verificar se a história contada sobre determinado material é compatível com aquilo que as análises conseguem revelar.

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