Justiça determina que Vale continue indenizando vítimas da tragédia de Brumadinho com salário mínimo

Publicado em

A Justiça de Minas Gerais decidiu, na última sexta-feira (28), que a Vale deve manter o pagamento integral do Programa de Transferência de Renda (PTR) aos afetados pelo rompimento da barragem em Brumadinho até que suas condições de vida sejam restauradas. A decisão é passível de recurso.

A medida foi tomada em resposta ao pedido das associações que representam as vítimas, as quais expressaram preocupações sobre o fim do programa. A partir de março, a Vale havia planejado reduzir os valores pagos pela metade: os moradores diretamente atingidos receberiam meio salário mínimo (R$ 759), enquanto aqueles impactados indiretamente receberiam um quarto do valor (R$ 379,50).

Pagamentos continuarão sendo feitos em sua totalidade

O juiz responsável pela decisão, Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte, argumentou que as condições de vida das famílias afetadas ainda não foram restabelecidas. Ele citou os altos níveis de poluição na Bacia do Paraopeba e a previsão da própria mineradora de que as reparações individuais só devem ser concluídas em seis anos.

Assim, os pagamentos continuarão sendo feitos em sua totalidade: um salário mínimo para os diretamente afetados (R$ 1.518) e meio salário mínimo para os indiretamente atingidos (R$ 759).

Em nota, a Vale afirmou que ainda não foi notificada sobre a decisão e alegou que sua obrigação referente ao pagamento foi encerrada após o repasse dos valores à Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pela gestão do benefício.

Histórico do Programa de Transferência de Renda

O PTR foi implementado em 2021 como uma alternativa ao auxílio emergencial para as vítimas da tragédia em Brumadinho, com um orçamento previsto de R$ 4,4 bilhões. Atualmente, o programa atende mais de 150 mil pessoas. Porém, devido à exaustão dos recursos, os valores começaram a ser reduzidos neste mês de março, com previsão de término total do programa em janeiro de 2026.

Na liminar, o juiz destacou os atrasos na execução das ações socioeconômicas e socioambientais acordadas em 2021.
Ele também mencionou a nova Lei Federal 14.755, que garante o direito a auxílio emergencial até que as famílias recuperem condições comparáveis às anteriores ao desastre.

O rompimento da barragem em janeiro de 2019 é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil e resultou em 272 mortes, além de danos significativos ao meio ambiente e à economia local. O juiz destacou que a Vale tem adotado medidas que atrasam as reparações individuais às vítimas e observou que a empresa estima concluir esses processos apenas em 2031.

A liminar exige que a Vale faça um depósito judicial para assegurar que os atingidos recebam os valores integrais anteriores à recente redução. A FGV tem um prazo de cinco dias para informar à Justiça o valor necessário para manter o benefício integral, e a Vale terá mais cinco dias após essa informação para efetuar o depósito correspondente.

Matérias Relacionadas

‘Biossólido Itabira’ irá transformar lodo da Estação de Tratamento de Esgoto Laboreaux em um insumo agrícola

O “Biossólido Itabira”, uma colaboração entre o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de...

‘Festival Fartura Dona Lucinha’ agita cidades de Serro e Conceição do Mato Dentro

Entre os dias 20 e 28 de maio, o "Festival Fartura Dona Lucinha" chega...

‘Festival Os Sons do Brasil’ chega em Ouro Preto e Mariana entre 20 a 22 de junho

Entre os dias 20 a 22 de junho, Ouro Preto e Mariana serão palcos...

‘Sextou’ com vagas! Sine Itabira fecha a semana com 95 novas oportunidades de emprego

Confira as vagas de emprego abertas no Sine Itabira para quem busca uma recolocação no mercado de trabalho nesta sexta-feira (23)

últimas Matérias

 Anglo Gold Ashanti tem vagas de estágio para níveis técnico e superior

Vagas se destinam tanto a atuações presenciais quanto híbridas, com carga horária diária de 6 horas; Inscrições podem ser feitas pela internet até 31 de agosto

 Ato em defesa da ANM – servidores protestam pela estruturação da Agência Nacional de Mineração

Servidores da Agência Nacional de Mineração estão com as atividades paralisadas como forma de...

 Cidade das gemas: moradores de Teófilo Otoni vivem terror com guerra entre facções criminosas

Bandidos trocaram tiros com a Polícia na noite desta quinta-feira; PCC e Comando Vermelho vêm amedrontando moradores da cidade nas últimas semanas

 Funcionários dos Correios desistem de greve na véspera da Black Friday

Servidores cogitavam paralisação para reivindicar correções em Acordo Coletivo e melhores condições de trabalho, mas desistiram da ideia após terem pedidos considerados pelos Correios